Alencar defende que Irã enriqueça urânio

Presidente em exercício defendeu diálogo com Teerã e a não interfererência em assuntos internos de outros países

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

13 de abril de 2010 | 19h33

No dia em que foi realizada, em Washington, a Conferência de Segurança Nuclear, quando se discutiu até mesmo sanções para o Irã, o presidente em exercício José Alencar defendeu a possibilidade de os iranianos enriquecerem urânio para sere usado em artefatos nucleares para fins pacíficos.

 

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"Mesmo quando é para um artefato nuclear, é também para fins pacíficos porque é para dissuasão", declarou Alencar. Seguindo a linha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alencar disse ainda que é importante que haja diálogo com o Irã, para não deixar o país isolado.

Para Alencar, o apoio do Brasil ao Irã, na questão do enriquecimento de urânio, "não é um problema ideológico, é um problema de solidariedade". Segundo Alencar, "se o Irã está querendo desenvolver energia nuclear para fins pacíficos, nós também queremos", justificando que um artefato bélico também pode ser usado para fins pacíficos porque pode ser usado como instrumento de defesa do seu país, para se proteger.

Questionado sobre o fato de o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não ser considerado um líder confiável para ter armas nucleares, Alencar desconversou alegando que o Brasil tem por princípio a não intervenção em assuntos internos dos países. "É o estilo dele", disse Alencar, defendendo, em seguida, a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

 

Proposta

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, apresentaram nesta terça ao líder americano, Barack Obama, uma proposta de mediação no conflito nuclear com o Irã para evitar novas sanções ao país islâmico, em meio a Cúpula de Segurança Nuclear encerrada hoje em Washington.

 

"Nós acreditamos que ainda há tempo para uma solução negociada", disse o ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, em uma coletiva de imprensa.

Ainda segundo o chanceler, o breve encontro entre os três estadistas foi pautado "exclusivamente no Irã".

 

Brasil e Turquia são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos buscam que novas sanções contra o Irã sejam aprovadas, país o qual os Estados Unidos acusam de buscar desenvolver armas nucleares.

 

Brasília e Ancara se opõem abertamente à imposição de sanções ao Irã por conta do programa nuclear deste país e pregam o diálogo diplomático como solução para a crise entre República Islâmica e as potências nucleares.

 

No encerramento da cúpula, no entanto, Obama, pressionou os líderes mundiais para que aprovem de maneira 'audaz e veloz' sanções contra o Irã por seu programa nuclear.

 

 "Meu interesse é não haver um processo que se arraste durante meses", disse Obama, ao pedir que o tema "avance com audácia e rapidez".

 

Compromisso

 

Os governantes de todo o mundo se comprometeram a entregar material nuclear aos Estados Unidos e a fechar alguns reatores nucleares, e os EUA, de acordo com Obama, fortalecerão a segurança em suas próprias zonas nucleares e permitirão inspeções internacionais.

 

Antes da cerimônia de encerramento, os Estados Unidos declararam que o governo Obama havia apresentado ao Congresso uma proposta de legislação para que as leis de seu país se adaptem às disposições de dois tratados: um para prevenir um possível ataque terrorista com armas nucleares e outro para proteger fisicamente os materiais nucleares.

 

Obama convocou a cúpula de segurança nuclear para focar a atenção mundial na missão de impedir que algum material atômico caia em mãos terroristas, uma possibilidade que, segundo o governantes representa a maior ameaça para todas as nações.

 

Os países representados na cúpula disseram que irão cooperar mais estreitamente com a ONU e seu órgão supervisor nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que também irão compartilhar informações sobre a detenção de elementos nucleares e as formas de prevenir o tráfico destes materiais.

 

Segundo Obama, os passos tomados na Cúpula Nuclear de Washington fazem com que os americanos e o resto do mundo fiquem mais seguros. Graças às medidas que tomamos", disse  em coletiva de imprensa, "o povo americano estará mais a salvo e o mundo será mais seguro".

O discurso de Obama encerra a conferência de 47 países, a maior assembleia de líderes mundiais sediadas pelos Estados Unidos desde 1945.

 

 

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