AP
AP

'Alepo agora é sinônimo de inferno', diz secretário-geral da ONU

Ban Ki-moon pede que as partes do conflito sírio retomem a retirada de civis da cidade e acusa divisão das potências internacionais pela situação

O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2016 | 16h36

NAÇÕES UNIDAS - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta sexta-feira, 16, a todas as partes em conflito na Síria que retomem as retiradas de civis em Alepo após a suspensão das operações. "Alepo é agora sinônimo de inferno", declarou Ban em sua última coletiva de imprensa antes de deixar o cargo em 31 de dezembro.

Segundo o secretário-geral, as Nações Unidas estão "mobilizando todos os recursos" para tentar que as partes continuem com o processo de retirada. Entre as pessoas que já deixaram a cidade, 194 eram pacientes que foram transferidos a hospitais em diferentes lugares.

Ban falou enquanto o Conselho de Segurança da ONU iniciava uma reunião de emergência a portas fechadas para abordar a situação em Alepo. A França anunciou nesta sexta que apresentará aos demais integrantes um projeto de resolução a fim de garantir que a população possa ser retirada do local de forma segura e sob supervisão internacional.

O embaixador francês na ONU, François Delattre, disse aos jornalistas que a ideia é que o pessoal das Nações Unidas que está na região possa monitorar o cessar-fogo e a retirada. A iniciativa, acrescentou Delattre, procura também garantir que a ajuda humanitária possa chegar a todos e os hospitais e as equipes médicas sejam protegidos.

Delattre declarou que buscará uma rápida aprovação e antecipou que, se não houver consenso no Conselho de Segurança, seu país é partidário de que se convoque uma sessão especial da Assembleia-Geral da ONU para abordar a questão.

Em sua entrevista coletiva, Ban afirmou que a divisão entre as potências internacionais é um dos fatores-chave na crise síria. O secretário-geral da ONU destacou que a insistência de muitos em proteger seus "interesses pessoais ou nacionais" permitiu a morte de centenas de milhares de pessoas e facilitou o avanço dos extremistas. / AFP e EFE

Mais conteúdo sobre:
Síria ONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.