AFP PHOTO / AMEER ALHALBI
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Bombardeio atinge clínica em 8º dia seguido de ataques aéreos na cidade síria de Alepo

Atentados acontecem no mesmo dia em que a mídia estatal russa disse que um ‘regime de silêncio’ entraria em vigor por 24 horas em Damasco e 72 horas em Latakia

O Estado de S. Paulo

29 Abril 2016 | 10h27

BEIRUTE - Várias pessoas ficaram feridas, entre elas um enfermeiro, nesta sexta-feira, 29, após um bombardeio atingir uma clínica na área rebelde de Alepo, a maior cidade do norte da Síria, indicou a Defesa Civil. O ataque, que provocou graves danos no edifício, acontece mais de 24 horas depois que um atentado contra um hospital apoiado pela ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), na mesma região, deixou dezenas de mortos, incluindo crianças e médicos.

A clínica está localizada no bairro de Al Marja, no leste de Alepo, sob controle rebelde, e estava em operação há cinco anos.

Os bombardeios também atingiram o consulado da Rússia. O Ministério das Relações Exteriores russo condenou o episódio e o qualificou de um "ataque terrorista". Segundo o Ministério, ninguém ficou ferido quando um morteiro atingiu o local. Todos os diplomatas russos foram transferidos de Alepo em janeiro de 2013 e, desde então, o local foi guardado por cidadãos sírios. A Rússia disse acreditar que o atentado foi realizado pela Frente Al- Nusra, afiliada da Al-Qaeda.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos informou que aviões de guerra de origem desconhecida bombardearam a cidade pelo oitavo dia seguido. Os aparelhos atacaram Al Qataryi, Al Mashhad, Al Sukari, Bustan al Qasr e Al Sajur. Neste último local, pelo menos uma criança morreu e cinco pessoas ficaram feridas na ofensiva contra áreas que estão sob o controle dos rebeldes.

Os ataques aconteceram no mesmo dia em que a mídia estatal russa disse que um "regime de silêncio" na Síria, patrocinado pela Rússia e pelos EUA, entraria em vigor por 24 horas em Damasco e arredores e por 72 horas na província de Latakia.

Bebars Mishal, chefe de uma força civil que atua em áreas sob controle rebelde de Alepo, disse que houve uma série de ataques aéreos na manhã desta sexta-feira, muitos deles perto de mesquitas localizadas nessas regiões. 

A televisão estatal síria afirmou que pessoas ficaram feridas e que um edifício pegou fogo durante o bombardeio de bairros de Alepo dominados pelo governo.

Incursões aéreas nas partes da cidade controladas por rebeldes mataram 123 civis, incluindo 18 crianças, nos últimos 7 dias, relatou o Observatório. Outros oito civis, entre eles três crianças, perderam a vida em um bombardeio do governo contra áreas da cidade que não estão sob seu controle.

Além disso, 71 civis, incluindo 13 crianças, foram mortos por bombardeios rebeldes nas áreas de Alepo comandadas pelo governo durante o mesmo período, disse o Observatório.

Na última semana, uma onda de violência atingiu a cidade, apesar de estar em vigor no país um cessar-fogo iniciado em fevereiro e aceito pelo governo e pela Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal aliança opositora.

Na quinta-feira, 27 pessoas morreram em Alepo, incluindo o último pediatra que ainda trabalhava na região, em um bombardeio de aviões de guerra contra o hospital Al Quds.

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse que tudo indica que as forças do regime de Bashar Assad realizaram o bombardeio, e pediu à Rússia para que assuma sua "urgente responsabilidade" de pressionar seu aliado a deixar de violar a trégua. No entanto, uma fonte militar síria negou em comunicado qualquer envolvimento do Exército no ataque ao hospital de Al Quds. /Reuters, EFE, AFP e Associated Press

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