Vasily Fedosenko/Reuters
Vasily Fedosenko/Reuters

Alexander Lukashenko é reeleito na Bielo-Rússia, diz comissão eleitoral

Conhecido como o 'último ditador da Europa', presidente eleito está no poder do país desde 1994

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 04h36

O presidente da Bielo-Rússia desde 1994, Alexandr Lukashenko venceu as eleições presidenciais deste domingo, 9, com 80,23% dos votos, segundo dados oficiais ainda não definitivos oferecidos nesta segunda-feira, 10, pela Comissão Eleitoral Central (CEC) daquela ex-república soviética. O resultado foi divulgado um dia depois de uma votação tensa, marcada por violência e acusações de fraude.

A principal rival de Lukashenko, a opositora Svetlana Tijanóvskaya, obteve 9,9%, e a opção "Contra todos os candidatos", que contempla a legislação eleitoral bielorrussa, obteve 6,02%, sendo que os outros três candidatos em concurso dividiram o 4,8% restantes.

"Para Alexandr Grigorievich Lukashenko, votaram 4.652.000 pessoas ou 80,23%", anunciou a presidente do CEC, Lidia Yermoshina, em entrevista coletiva, segundo a agência oficial russa RIA Nóvosti de Minsk. Segundo a CEC, a participação foi de 84,23% dos cadernos eleitorais, estimada em pouco mais de 6,8 milhões de cidadãos.

No final da votação, a oposição saiu às ruas de Minsk e outras cidades bielorrussas para protestar contra o que denunciou como fraude eleitoral, e os manifestantes foram dispersos pela tropa de choque, que utilizou lançadores de água, gás lacrimogêneo, balas de borracha e vivas. De acordo com a ONG de direitos humanos Vesná, uma pessoa foi morta por uma viatura policial, um extremo que não foi confirmado por outras fontes, e mais de 120 manifestantes foram presos.

A presidente da CEC revelou que devido aos incidentes no centro de Minsk, a Casa do Governo teve de ser evacuada na manhã desta segunda-feira, onde se encontra a autoridade eleitoral. Os detidos nos incidentes podem ser condenados a entre 8 e 15 anos de prisão, alertou hoje o diretor do Comitê de Investigação da Bielo-Rússia, Ivan Noskevich, já que foram abertos processos criminais por desordem em massa e violência contra policiais.

De acordo com a missão de observação da Comunidade de Estados Independentes pós-soviética (CEI), a única convidada pelas autoridades bielorrussas, as eleições presidenciais foram realizadas "de forma organizada e de acordo com a lei bielorrussa". "As manifestações foram claramente uma provocação e não questionam a veracidade dos resultados", disse o senador russo Oleg Melnichenko, coordenador do grupo de observadores da Assembleia Interparlamentar da CEI, à RIA Nóvosti.

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