Vasily Fedosenko/Reuters
Vasily Fedosenko/Reuters

Alexander Lukashenko está virtualmente reeleito na Bielo-Rússia

No poder desde 1994, presidente tem quase 80% dos votos, segundo sondagem oficial

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2020 | 17h41

MINSK - Presidente da Bielo-Rússia desde 1994, Alexander Lukashenko, está virtualmente reeleito para mais um mandato. Segundo sondagem oficial após o fechamento das urnas neste domingo, 9, o chefe de Estado tinha 79,7% dos votos, contra 6,8% da opositora, Svetlana Tikhanovskaya.

Embora a maioria das sessões eleitorais tenham fechado às 14h, no horário de Brasília, algumas foram autorizadas a permanecer abertas por causa da quantidade de eleitores. O comparecimento estimado pelas autoridades foi de 79%.

O clima era tenso na capital, Minsk, com a polícia e forças especiais nas ruas. O resultado será divulgado na noite do domingo ou na manhã de segunda.

"Ninguém vai permitir a perda de controle", prometeu o presidente Lukashenko depois de depositar sua cédula na urna, afirmando que "não havia razão" para o país "mergulhar no caos".

Nos últimos dias, o seu governo aumentou os esforços para impedir o avanço de Tikhanovskaya, prendendo no sábado a sua líder de campanha, Maria Moroz. Antes do surgimento da candidata, Lukashenko eliminou também seus principais concorrentes: dois deles estão presos, um terceiro está no exílio. 

A Bielo-Rússia não tem eleições consideradas livres desde 1995. 

Fraudes descaradas

Neste domingo, partidários da opositora votavam com pulseiras brancas, em sinal de reconhecimento a pedido de Tikhanovskaya, uma professora de inglês de 37 anos, que os convidou a enviar fotos das suas cédulas para organizar uma contagem independente. "Precisamos de sangue novo, ideias novas", disse uma eleitora de 26 anos, que preferiu não se identificar.

Nessas eleições, houve a possibilidade do voto antecipado, um mecanismo denunciado pela oposição, que teme uma possível fraude. "Quero realmente uma eleição honesta", disse Tikhanovskaya aos jornalistas após votar em Minsk, diante do medo anunciado nos últimos dias de que ocorreriam "fraudes descaradas".

O acesso à internet também foi limitado, impossibilitando a utilização de determinadas redes sociais, serviços de mensagens e sites de consulta de informação próximos da oposição, mas também o site da comissão eleitoral.

Svetlana Tikhanovskaya resistiu apesar do "medo" diário, disse em entrevista à agência francesa AFP na sexta-feira, 7. De acordo com a imprensa russa e local, ela deixou seu apartamento no sábado por razões de segurança.

Porém, acrescentou que não tinha ilusões quanto ao resultado, já que ocorreram "fraudes descaradas" durante a votação antecipada de terça-feira a sábado./ AFP

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