Pavel Golovkin/AP
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Alexei Navalni sai do coma induzido, anuncia hospital alemão

Líder opositor russo foi envenenado por agente nervoso soviético, durante uma viagem à Sibéria; envolvimento do Kremlin é questionado

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 12h47

BERLIM - O líder opositor russo Alexei Navalni saiu do coma artificial e vai deixar o respirador artificial por etapas. É o que anunciou o Hospital de Caridade de Berlim, onde ele foi internado após ser envenenado na Rússia, segundo autoridades alemãs.

Navalni, um advogado de 44 anos e conhecido por investigar a corrupção da elite política russa, sentiu-se mal no dia 20 de agosto, durante um voo. Ele foi encaminhado a um hospital em Omsk, na Sibéria, e transferido para Berlim dois dias depois, após pedidos da família.

De acordo com um comunicado do hospital alemão, o estado de saúde de Navalni melhorou e ele já reage quando falam com ele. No entanto, os médicos não excluíram a possibilidade de sequelas a longo prazo, em razão do envenenamento.

O governo da Alemanha se pronunciou oficialmente sobre o caso e afimou que existem "provas inequívocas" de que o russo foi envenenado pelo agente nervoso Novichok - criado por cientistas soviéticos entre as décadas de 1970 e 1980, e utilizado em outros casos famosos de cidadãos russos.

Assessores de Navalni veem a utilização do Novichok como uma prova cabal do envolvimento do governo de Vladimir Putin na tentativa de eliminar o líder da oposição. Contudo, até o momento, o Kremlin nega qualquer participação.

"Todas as tentativas de associar a Rússia de alguma maneira com o que aconteceu são inaceitáveis para nós, são absurdas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Moscou critica Berlim por "adiar o processo de investigação", exigido pelo próprio governo alemão, ao não transmitir os documentos do caso às autoridades russas. No domingo, a Alemanha apresentou à Rússia um ultimato de alguns dias para "explicar o ocorrido".

De acordo com Peskov, Moscou ainda não recebeu os elementos, mas espera que Berlim proporcione todas as informações necessárias à Rússia nos próximos dias. "Estamos esperando com impaciência", completou./ AFP

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