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(AP Photo/Ben Curtis)
(AP Photo/Ben Curtis)

Alfaiates de pequeno bairro em Nairóbi costuraram roupas que papa usará na visita

Trabalhadores disseram ser 'privilegiados' e ficaram felizes de o pontífice vestir símbolos da cultura africana 

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2015 | 16h23

NAIRÓBI - Há dois meses, as máquinas de costura não descansam em um pequeno bairro de Nairóbi, onde dezenas de alfaiates trabalham entre tecidos, fios e agulhas para vestir o papa Francisco durante sua estadia no Quênia, primeira etapa da visita papal ao continente africano.

Em uma humilde oficina de confecção em Kangemi, a irmã Ida Lagonegro, de 73 anos, supervisiona as tarefas do grupo de costureiros que tem o "privilégio" de confeccionar roupas para o pontífice usar a partir desta quarta-feira, 25, quando chegou à capital queniana.

A peça principal é uma elegante casula com estampa africana com a qual Francisco homenagerará a herança de todo um continente. "Tenho certeza que (o papa) gostará porque não é nada extravagante. É um símbolo da cultura", disse a irmã Ida na oficina, que fica muito perto de uma das igrejas que receberão Francisco.

Sobre um fundo branco, a casula tem bordados coloridos com motivos feitos "com o mesmo material utilizado pelas mulheres masai para seus adornos", explicou a religiosa italiana que vive há 48 anos no Quênia.

Antes mesmo de o papa estrear a peça, um pároco italiano já entrou em contato com a oficina para pedir uma batina exatamente igual. "Também elaboramos outra clássica, feita com fio de ouro" e uma alvorada decorada com a insígnia JHS (abreviatura do nome de Jesus) que o pontífice vestirá durante as missas.

Além disso, os mais de 30 costureiros de Kangemi - alguns deles contratados especialmente para a ocasião - elaboraram duas mil estolas com a inscrição "Papa Francisco 2015" com uma cruz bordada com tela africana para todos os sacerdotes que participarem da visita papal usarem, assim como 560 alvoradas e 70 batinas.

Nas mesas de corte da oficina, os alfaiates arrematam todas as peças - que começaram a ser elaboradas em meados de setembro - e as passam. A irmã Ida supervisiona até o último detalhe da importante encomenda, que avalia e considera como um lindo gesto do papa para com os quenianos.

Durante sua estadia, Francisco deve visitar o bairro Kangemi por cerca de uma hora, quando se encontrará com 1.400 pessoas. "Estamos muito contentes que o papa venha. Há muitas paróquias em Nairóbi e em todo o Quênia, mas ele elegeu Kangemi. É um enorme privilégio. As pessoas estáo mais do que emocionadas", disse a religiosa.

A irmã Ida poderá assistir a este encontro e conhecer pessoalmente o pontífice. "Será um privilégio poder estar ali", afirmou, lembrando que em 1995 teve a oportunidade de conhecer o papa João Paulo II durante sua visita ao país.

Esta é a primeira vez que Francisco visita a África, uma viagem muito esperada, reconheceu ele mesmo, e onde uma agenda repleta de atos o aguarda.

Além de visitar Kangemi, o papa oficiará uma missa no campus da universidade pública e terá um encontro com membros do clero, religiosos e seminaristas.

Após três dias em Nairóbi, o papa viajará a Uganda e terminará seu tour pela África na República Centro-Africana, onde, entre outros eventos, terá um encontro com a comunidade muçulmana em uma mesquita da capital, Bangui. /EFE

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