Alfonsín perde popularidade na Argentina

O ibope dos caudilhos argentinos está em baixa ultimamente neste país: dos dois últimos que ainda restavam vivos, um está preso, e o outro, a ponto de sofrer sua primeira derrota eleitoral direta.O prisioneiro é o ex-presidente Carlos Menem (1989-91), que amarga mais de três meses de prisão domiciliar por envolvimento em tráfico de armas. O eventual derrotado é o ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-89), que está disputando uma vaga de senador pela província de Buenos Aires nas eleições parlamentares de outubro e pode perder.Alfonsín é o presidente nacional da União Cívica Radical (UCR), partido do presidente Fernando de la Rúa. O velho caudilho é uma pedra no sapato de De la Rúa, já que Alfonsín controla a centenária UCR com mão de ferro e contínuamente dispara críticas contra a administração atual.Há mais de três décadas que Alfonsín não perde uma eleição na qual seja candidato. Agora, deseja chegar ao Senado, para ali tornar-se o presidente da Câmara Alta, fato que o colocaria em segundo lugar na sucessão presidencial, já que o cargo de vice-presidente está vago desde o ano passado.Duhalde é favoritoNo entanto, esta qualidade de invicto está a ponto de desaparecer: segundo uma pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), Alfonsín tem 14,6% das intenções de voto dos bonaerenses. Ou seja, está 13 pontos porcentuais atrás do preferido, o candidato do Partido Justicialista (mais conhecido como "Peronista"), da oposição, Eduardo Duhalde, que reúne 27,9% das intenções de voto.Duhalde foi vice-presidente (1989-91) de Menem e governador da província de Buenos Aires duas vezes, entre 1991 e 1999. Ele também foi o candidato derrotado do peronismo nas eleições presidenciais de 1999.Existem três vagas para o Senado por província. Se Duhalde vencer, o peronismo tem direito a colocar um segundo senador, que neste caso seria Mabel Müller. Alfonsín somente ficaria com a terceira vaga.Fenômeno FarinelloMas esta terceira vaga também está em perigo, já que Luis Farinello, candidato do "Polo Social", está nos calcanhares do velho caudilho, com 10,7% dos votos. Farinello é um padre que ficou famoso nos últimos anos por seu trabalho nas favelas e com os desempregados. A duras penas, o padre consegue alimentar milhares de sem-teto e órfãos.Com a permissão da Igreja Católica, Farinello montou há poucos meses um partido próprio e rapidamente obteve o apoio de artistas e intelectuais.O "fenômeno Farinello" está crescendo de forma diretamente proporcional ao aumento da pobreza, que em Buenos Aires está em disparada. Segundo a consultora Equis, em todo o país 44,2% dos novos eleitores estão abaixo da linha da pobreza.No total, são 750 mil jovens que nunca votaram, mas que desde sua infância e adolescência sentiram na própria pele mais de uma década de políticas econômicas erráticas. Dos novos eleitores, 30% estão desempregados. Do total de novos eleitores, 37% residem na província de Buenos Aires.Esta província é crucial para o controle político do país: ali reside um terço da população, e ali é produzido um terço do PIB argentino.

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