Alfonsín sugere substituição de Cavallo

Um dos principais opositores do ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, e do ajuste fiscal, está dentro das fileiras do partido do governo, a União Cívica Radical (UCR): o ex-presidente Raúl Alfonsín, que comanda a UCR com mão-de-ferro, afirmou que "seria interessante" uma nova equipe econômica. "Gostaria que fosse um homem com outro tipo de idéias", disse Alfonsín, ao imaginar um sucessor para Cavallo. O ex-presidente sustentou que, no início, Cavallo "aplicou medidas de caráter competitivo", mas que depois "tomou atitudes que não são aquelas que preferimos". Alfonsín disse também que os ajustes fiscais feitos por Cavallo pesam mais sobre "as pessoas que têm menos recursos". Essas declarações, em um clima de guerra fria com o presidente Fernando de la Rúa, causaram repercussões imediatas. O porta-voz de De la Rúa, Juan Pablo Baylac, declarou que Alfonsín precisa ser "mais solidário" com o governo. Nas fileiras cavallistas, o deputado Luis Fernández Valloni retrucou em tom de declaração de guerra: "Isso que Alfonsín falou é escandaloso. Mas vamos pô-lo em seu lugar."Cavallo disse que o governo está sendo obrigado a realizar cortes de 13% nos salários dos funcionários públicos e das aposentadorias por causa do "descalabro nos gastos da classe política". Em declarações à imprensa argentina, sustentou que o ajuste fiscal continuará, no ano que vem, "dependendo dos políticos". Cavallo afirmou ao jornal La Nación que deixar de contrair créditos no exterior "será tão bom para o país como na década passada foi ter deixado de emitir dinheiro sem respaldo". O ministro considera que o ajuste não implicará entrar em um círculo recessivo. "É exatamente o contrário, porque é o gasto excessivo do governo, a sonegação tributária e o contrabando que intensificam a depressão econômica. Na medida em que sejam eliminados, voltaremos a crescer." Mas Cavallo prefere não dar prazos sobre a recuperação econômica. "Não fazemos prognósticos. Somos o governo."

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