Alfred Nobel: da dinamite à promoção da paz

O Nobel da Paz, vencido nesta sexta-feira pelo pioneiro do microcrédito bengalês Muhammad Yunus, é um dos cinco prêmios instituídos pelo químico sueco Alfred Nobel (1833-1896) ao perceber os efeitos mortais que uma de suas invenções, a dinamite, teve durante a guerra franco-prussiana.Nobel decidiu então que o prêmio fosse concedido aos "que mais contribuíram para a aproximação dos povos, a redução dos exércitos e a promoção da paz".As propostas para a concessão do prêmio podem ser feitas pelos membros e ex-membros do Comitê Nobel do Parlamento Norueguês, que é formado por cinco pessoas e é a instituição que concede o prêmio, assim como pelos conselheiros do Instituto Norueguês do Nobel e os parlamentares e governantes de todo o mundo.Histórico do prêmioO primeiro Nobel da Paz foi concedido em 1901, quando dividiram a condecoração o suíço Jean Henry Dunant, promotor da Convenção de Genebra de 1864 da qual nasceu a Cruz Vermelha, e o francês Frédéric Passy, fundador da primeira organização pacifista de seu país.Desde então, além da edição de 2006, o prêmio foi concedido 85 vezes. O reconhecimento foi recebido por grandes personagens a título individual e por instituições, e dividido em 25 ocasiões.Em uma ocasião, foi concedido de forma póstuma, em 1961, ao sueco Dag Hammarskjöld, secretário-geral da ONU que faleceu semanas antes em um acidente aéreo.Só uma pessoa o rejeitou: Le Duc Tho, por ter sido agraciado quando, em 1973, a paz ainda não havia sido conquistada em seu país, o Vietnã do Norte.O Nobel da Paz é o único dos prêmios entregue em Oslo, em cerimônia paralela à realizada em Estocolmo para as outras condecorações.Entre as personalidades que o receberam ao longo do século XX estão os presidentes dos EUA Theodore Roosevelt (1906) e T. Woodrow Wilson (1919), os também americanos George Marshall, secretário de Estado dos Estados Unidos, criador do Plano Marshall, (1953), Martin Luther King, ativista defensor da resistência contra a opressão racial (1964) e Henry Kissinger, diplomata que se destacou no acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietnã (1973).Fora dos Estados Unidos, outras personalidades que conquistaram o prêmio foram o francês Albert Schweitzer, médico, músico e filósofo conhecido por suas missões na África (1952), a albanesa madre Teresa de Calcutá (1979), o polonês Lech Walesa, ativista dos direitos humanos (1983), o soviético Mikhail Gorbachev (1990) e a líder da oposição na Birmânia em contestação ao regime militar Aung San Suu Kyi (1991).O prêmio já foi concedido também a duplas que uniram seus esforços pela paz: Kissinger (EUA) e Le Duc Tho (Vietnã) em 1973; Anwar el-Sadat (Egito) e Menachenm Begin (Israel) em 1978; Nelson Mandela e Frederik de Klerk (África do Sul) em 1993 e David Trimble e John Hume (Irlanda do Norte) em 1998.Em uma ocasião, 1994, foi concedido a três pessoas ao mesmo tempo: o líder palestino Yasser Arafat e os dirigentes israelenses Shimon Peres e Yitzhak Rabin.Cinco latino-americanos já foram agraciados: dois argentinos (Carlos Saavedra Lamas, em 1936, e Adolfo Pérez Esquivel, em 1980), um mexicano (Alfonso García Robles, em 1982), um costarriquenho (Oscar Arias, atual presidente do país, em 1987) e uma guatemalteca (Rigoberta Menchú, em 1992).Entre as instituições internacionais mais reconhecidas com o Nobel da Paz destaca-se a Cruz Vermelha, premiada três vezes (1917, 1944 e 1963), e as Nações Unidas com duas condecorações (1938 e 1954). No século XXI os vencedores do Nobel da Paz foram:2000 - Kim Dae-Jung (presidente da Coréia do Sul); 2001 - A ONU e seu secretário-geral, o ganês Kofi Annan; 2002 - Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos; 2003 - Shirin Ebadi, advogada iraniana, defensora dos direitos humanos; 2004 - Wangari Maahai, ecologista queniana; 2005 - Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e seu diretor, o egípcio Mohamed ElBaradei.

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