REUTERS/Hussein Waaile
REUTERS/Hussein Waaile

Alguém vai pagar por isso, disse Bush a bordo do Air Force One no 11 de Setembro 

Essa e outras frases do então presidente dos EUA estão registradas nas anotações de seu secretário de imprensa, publicadas por ocasião do aniversário dos 15 anos do ataque 

O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2016 | 17h58

WASHINGTON - Para marcar, no domingo, o 15º aniversário dos ataques do 11 de Setembro, o secretário de imprensa do ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush Ari Fleischer publicou suas notas manuscritas, um relato textual, do que se passou a bordo do Air Force One, o avião presidencial. 

Ao todo, são seis páginas, a única transcrição original e integral do que Bush disse no Air Force One enquanto ele e seus principais assessores absorviam a notícia do pior ataque no território americano desde que forças japonesas bombardearam Pearl Harbor em 1941.

"Estamos em guerra", disse Bush ao vice-presidente, Dick Cheney. Desligando o telefone e se voltando para seus assessores, ele acrescentou: "Quando descobrirmos quem fez isto, eles não irão gostar de mim como presidente. Alguém vai pagar por isso."

Fleischer assumiu a função de tomar notas do presidente no momento em que o Air Force One decolou da Flórida na esteira dos ataques às Torres Gêmeas em Nova York e ao Pentágono, realizados com aviões de passageiros sequestrados.

"Sempre tomei notas. É assim que se faz esse trabalho", disse Fleischer à agência Reuters. "Mas no 11 de Setembro, ficou claro instantaneamente o quão mais importante era ter um registro do que o presidente fez e disse. Eu basicamente me grudei ao lado dele quase o dia todo e continuei em sua cabine no Air Force One para escutar e tomar notas."

Grande parte do material já se tornou parte dos registros públicos. Fleischer tem usado o material para tuítes anuais sobre o 11 de Setembro e em discursos, além de disponibilizá-lo à comissão que investigou os ataques, mas ainda não havia liberado a íntegra para o público.

A história que se desenrola nas anotações de Fleischer começa com as emoções cruas que Bush e seus assessores experimentaram, como a ansiedade do presidente para retaliar. "Mal posso esperar para descobrir quem fez isso", disse Bush. "Vai levar algum tempo, e não vamos aceitar nenhuma babaquice de pegar leve."

Há um período dramático durante o qual Bush tenta vencer a oposição do Serviço Secreto para poder voltar a Washington. A princípio, o avião o levou à base da Força Aérea de Barksdale, na Louisiana, e depois para a base aérea de Offutt, no Nebraska. Ele retornou a Washington naquela noite.

"Quero ir para casa o mais cedo possível", afirmou Bush. "Não quero que quem quer que seja me mantenha longe de Washington." 

Um assessor respondeu: "Nossa equipe está dizendo que ainda é muito incerto." 

Bush disse que essa era a mesma mensagem que estava recebendo de Cheney. Seu chefe de gabinete, Andy Card, disse: "O certo é deixar a poeira abaixar."

As notas de Fleischer incluem uma referência enigmática a uma comunicação ouvida no avião, vinda do solo, dizendo que "o anjo é o próximo". Como o codinome do Air Force One na ocasião era "anjo", surgiu o temor a bordo de que a aeronave presidencial fosse um alvo.

Um mês depois, Bush e sua equipe souberam que a referência ao "anjo" foi uma comunicação equivocada do solo. / REUTERS

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