Alheios a tensão, norte-coreanos celebram Kim Il Sung

Algumas horas depois de a Coreia do Norte ter celebrado o aniversário de nascimento de seu primeiro líder, Kim Il Sung, o comando supremo do exército do país deu um ultimato às forças armadas da Coreia do Sul dizendo que "ações de retaliação" vão começar, sugerindo um possível ato militar, informou a agência de notícias japonesa Kyodo, citando a agência oficial norte-coreana, Korean Central News Agency (KCNA, na sigla em inglês).

AE, Agência Estado

15 de abril de 2013 | 17h05

"As forças armadas da República Democrática da Coreia do Norte vão começar imediatamente suas ações militares para mostrar como o serviço do país valoriza e protege a dignidade da liderança suprema", dizia a reportagem.

Apesar do clima de tensão e de olhos internacionais atentos ao possível lançamento de um míssil da Coreia do Norte, o aniversário de cem anos de Kim Il Sung, avô do atual líder norte-coreano, Kim Jong Um, foi marcado por moradores nas ruas de Pyongyang, no primeiro dos três dias de feriado nacional. Meninas eram vistas nas ruas enfeitadas com bandeiras e faixas, enquanto pais empurravam carrinhos de bebê em meio ao frio da primavera.

Aparentemente não havia sensação de pânico na capital norte-coreana, onde poucas pessoas têm acesso a informações de origem internacional, que especulam a respeito do lançamento iminente de um míssil, além dos esforços diplomáticos para conter o governo norte-coreano, que inclui uma visita à região do secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Governos estrangeiros lutam para avaliar a seriedade das ameaças norte-coreanas, que incluem a possibilidade de uma guerra nuclear. As agências de inteligência da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e do Japão acreditam que o governo norte-coreano esteja pronto para lançar um míssil de médio alcance.

Soma-se ao cenário de tensão, o fato de a Coreia do Norte ter rejeitado no domingo uma proposta sul-coreana para resolver as tensões por meio do diálogo. Pyongyang disse não ter intenção de conversar com Seul a menos que eles abandonem o que o Norte chama de postura de confronto. O porta-voz do Ministério de Unificação sul-coreano, Kim Hyung-suk, disse nesta segunda-feira que a resposta é "muito lamentável", mas reiterou que o Sul continua aberto ao diálogo.

Uma importante autoridade norte-coreana, Kim Yong Nam, presidente da Assembleia Suprema do Povo, disse também, durante uma reunião de altos funcionários no domingo, que o Norte deve reforçar seu arsenal nuclear e "empreender uma ação mais forte contra os Estados Unidos para lidar com a vigente situação de guerra", segundo informou a televisão estatal norte-coreana.

Nesta segunda-feira, o ministro de Defesa da Coreia do Sul, Kim Kwan-jin, disse a um comitê parlamentar em Seul que ainda há indícios de que a Coreia do Norte pode lançar um míssil de sua costa Leste, embora não tenha revelado como conseguiu a informação.

Durante sua viagem, Kerry tem advertido a Coreia do Norte para que não realize o teste com míssil, afirmando que isso seria um ato de provocação que "vai elevar a temperatura" e isolar ainda mais o país e seu povo. Em Tóquio, no domingo, Kerry disse que os Estados Unidos estão "preparados para oferecer ajuda", mas Pyongyang deve primeiro reduzir as tensões e honrar acordos anteriores. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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