´Ali Químico´ admite ter ordenado massacre de curdos

O primo de Saddam Hussein, Ali Hassan al-Majeed, conhecido pelo apelido de "Ali Químico" admitiu neste domingo, durante seu julgamento por genocídio, ter ordenado a destruição de aldeias curdas na campanha Anfal, mas insistiu que tinha o direito de fazê-lo e que não tinha do que se desculpar. Al-Majeed está sendo julgado ao lado de outros cinco ex-membros do Partido Baath, que participaram da campanha militar Anfal, em 1988. No início deste mês, ele disse ao tribunal que mandou suas tropas executarem quem ignorou as ordens do governo iraquiano para abandonar as vilas.Neste domingo, ele reiterou que foi responsável pelas ordens de destruir as aldeias e retirar seus moradores. Mas argumentou que se tratava de uma campanha militar legítima, já que guerrilheiros curdos do Curdistão, no norte do Iraque, haviam se aliado ao Irã durante a última fase da guerra Irã-Iraque."Todas as ordens para remover pessoas foram minhas", disse al-Majeed à corte, depois que promotores apresentaram mais de 20 documentos detalhando como aldeias foram destruídas e seus moradores retirados das casas, às vezes separando crianças de suas famílias."As ordens foram dadas porque a região estava cheia de agentes iranianos. Tivemos que isolar estes sabotadores. Sabemos que o Irã tomou muitas terras nossas... quase mais do que o tamanho do Líbano", disse al-Majeed.O primo de Saddam é considerado o maior comandante da campanha em que 180 mil pessoas foram mortas, muitas delas com ataques com gás. Saddam Hussein também foi julgado e condenado pela campanha. Ele foi executado no final de dezembro.Durante a campanha Anfal, milhares de aldeias foram declaradas "áreas proibidas" e destruídas com bombardeios. Milhares de pessoas tiveram que fugir.Al-Majeed não respondeu diretamente ao juiz que perguntou porque alguns ataques da campanha foram realizados depois do início do cessar-fogo entre o Irã e o Iraque, em 8 de agosto de 1988. "Tínhamos que ser cautelosos com os iranianos. Vocês sabem historicamente o que eles fizeram com o Iraque", disse. "Não estou me defendendo", acrescentou. "Não estou me desculpando. Não cometi erro algum".

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