Sebastian Scheiner/EFE
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Aliado-chave abandona Netanyahu e abre caminho para oposição formar governo em Israel

Caso não haja reviravolta nas próximas horas, a decisão de Bennett deve por fim a 12 anos de governo do premiê e ele pode responder por denúncias de corrupção na Justiça

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2021 | 14h49
Atualizado 31 de maio de 2021 | 12h18

JERUSALÉM  - O líder do partido israelense Yamina, Naftali Bennett, aceitou uma proposta para fazer parte da coalizão negociada pelo líder da oposição Yair Lapid. Caso não haja reviravolta nas próximas horas, a decisão de Bennett deve pôr fim a 12 anos de governo do premiê Binyamin Netanyahu em Israel.

Lapid e Bennet concordaram em um acordo de divisão de poder nos próximos quatro anos no qual haverá um revezamento no papel de primeiro-ministro. O partido apoiou o acordo fechado por seu líder. 

“Farei tudo o possível para formar um governo de unidade com meu amigo, Yair Lapid. Na hora da verdade, é preciso saber assumir suas responsabilidades”, declarou Bennett, que vinha alimentando o mistério em torno de suas intenções há semanas”, acrescentou ele durante discurso na televisão. “Yair e eu temos nossas diferenças, mas compartilhamos o amor por este país.”

Se concretizado, o acordo colocará fim à sequência de eleições em Israel – foram quatro nos últimos dois anos. Fora do governo e sem imunidade judicial, Netanyahu terá de responder a acusações de corrupção na Justiça.

A principal delas indica que o premiê ofereceu vantagens a um empresário dos meios de comunicação em troca de uma cobertura midiática favorável, de olho em uma de suas campanhas eleitorais. Ele nega envolvimento com o caso e se diz vítima de perseguição dos Judiciário israelense. 

Conhecido como “O Mágico”, em virtude de sua habilidade de costurar acordos políticos e sobreviver no cargo mesmo diante dos cenários mais improváveis, Netanyahu ainda tenta uma última cartada: dividir o cargo de premiê com Bennet. Analistas, no entanto, creem que a possibilidade disso ocorrer é pequena.

“Um governo de direita ainda é possível", disse Netanyahu após o anúncio da oposição. “ Um governo da oposição será um perigo para a segurança do Estado de Israel. Este é o golpe do século.”

Os partidos de Bennett e Lapid deram sequência as negociações com vistas a um acordo na noite deste domingo. Segundo os meios de comunicação israelenses, o acordo estabeleceria que ele esteja à frente do governo nos primeiros anos do mandato para depois ceder o cargo a Lapid.

Matemática complexa

Para formar o governo, Lapid, que dirige o partido de centro Yesh Atid , deve obter o apoio de 61 deputados. Com o apoio da esquerda, do centro e duas formações da direita, ele alcançou 51, antes de Bennett anunciar que também iria apoiá-lo. A coalizão heterogênea de oito pequenos partidos de agendas distintas parecia impensável, mas foi ganhando corpo ao longo do mês, após quatro eleições em dois anos sem sucesso na formação de uma coalizão.

Bennett, à frente da formação Yamina, obteve sete cadeiras nas eleições legislativas de 23 de março, a quarta realizada em dois anos. Mas um de seus membros indicou que não colaboraria com o campo anti-Netanyahu.

Assim, com esses seis apoios adicionais, o bloco, que pede uma mudança após 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder, ainda terá que convencer outros quatro deputados. Para isso, poderia recorrer aos partidos árabes israelenses, que ainda não expressaram sua posição.

Se o campo anti-Netanyahu não conseguir formar um governo, 61 deputados poderão pedir ao presidente que designe, para uma última tentativa, um parlamentar de sua escolha, que poderia ser Netanyahu, Lapid, Bennett ou outro nome./ AP, AFP e EFE

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