Aliado de Gbagbo acusa França de promover 'golpe' na Costa do Marfim

Em Paris, porta-voz exige libertação de ex-presidente marfinense e de sua família

Agência Estado

12 de abril de 2011 | 12h16

Militares antes fiéis a Gbagbo depõem suas armas ante Ouattara.

 

PARIS - Um porta-voz do líder deposto da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, acusou nesta terça-feira, 12, as forças especiais da França de realizar um "golpe" em sua ex-colônia, em nome do rival Alassane Ouattara. "Foi um golpe de Estado que não tinha outro objetivo a não ser ganhar controle dos recursos da Costa do Marfim", disse Alain Toussaint a repórteres em Paris. "Gbagbo foi capturado pelas forças especiais francesas, que o levaram ao Hotel Golf", a base de Ouattara, disse Toussaint. O porta-voz exigiu que Gbagbo e sua família sejam libertados.

 

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A França nega as alegações de que tropas do país tenham prendido Gbagbo quando ele foi capturado em um bunker em Abidjã. Paris insiste ter apenas realizado ataques aéreos no país africano. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Bernard Valero, rechaçou imediatamente as acusações de Toussaint. "Toussaint deve estar enfermo. Eu ficaria feliz se ele voltasse a encarar a realidade", afirmou Valero.

 

A França ainda anunciou nesta terça que enviará 400 milhões de euros para ajudar a Costa do Marfim. O dinheiro deve ser usado sobretudo para atender a necessidades emergenciais em Abidjã.

 

Nesta terça, fortes disparos foram ouvidos em dois distritos de Abidjã, segundo testemunhas. Esses distritos são leais a Gbagbo, disseram as fontes. O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos divulgou um comunicado em que calcula em 536 o número de mortos pela violência apenas no oeste da Costa do Marfim, desde o fim do mês passado. Segundo uma porta-voz da entidade, o número total de mortos no país pode ser bem maior.

 

Alguns milicianos partidários de Gbagbo começaram a entregar suas armas, segundo as forças de Ouattara. Porém o presidente reconhecido internacionalmente ainda pode precisar de meses para restaurar a segurança na cidade de Abidjã, contendo a violência nas ruas e trabalhando para reduzir as tensões entre as forças políticas rivais. As informações são da Dow Jones.

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