Aliado de Mubarak apoia candidatura de general golpista à presidência

Endosso aumenta expectativa de que líder do golpe que depôs Morsi chegue ao poder

O Estado de S. Paulo,

09 de setembro de 2013 | 12h46

CAIRO - O ex-premiê egípcio Ahmed Shafiq declarou nesta segunfa-feira, 9, apoio à candidatura presidencial do general Abdel Fattah al-Sisi. O endosso do último primeiro-ministro do ditador Hosni Mubarak contribuiu para as especulações de que o militar que comandou a derrubada do presidente islâmico Mohamed Morsi vai se tornar chefe de Estado.

Shafiq, ex-comandante da Força Aérea e segundo colocado na eleição presidencial de 2012, disse que não concorrerá novamente se Sisi, chefe do Estado-Maior egípcio, decidir ser candidato no provável pleito de 2014. Isso explicaria por que, a poucos meses da votação, ainda não há candidatos declarados, já que os políticos estariam aguardando uma decisão de Sisi.

Outro ex-candidato em 2012, Amr Moussa, disse que Sisi será eleito por ampla margem caso seja candidato. Segundo ele, os egípcios ficaram "irritados e com medo da anarquia e do terrorismo", e desejam um líder decidido.

Sisi comandou o golpe militar que depôs Morsi em 3 de julho, e posteriormente empossou o juiz Adli Mansour como presidente interino, alegando não buscar cargos. Mas o general aparece frequentemente na TV estatal, suas fotos estão espalhadas pelo Cairo, e há crescentes especulações de que ele será candidato a presidente.

O Egito passou cerca de seis décadas sob o comando de militares, entre a deposição da monarquia, em 1952, e a eleição de Morsi, no ano passado. Mesmo que o general não seja candidato, analistas dizem que os militares continuarão dando as cartas no país, restringindo a influência do próximo chefe de Estado.

Falando ao canal de TV Dream 2, Shafiq manifestou apoio à candidatura de Sisi. "Que Deus lhe dê boa fortuna. Todos o apoiaríamos, e sou o primeiro a apoiá-lo", afirmou. "Se Sisi for indicado, não concorrerei."

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