Aliado de Putin renuncia à presidência da Duma

Decisão de Boris Gryzlov seria uma tentativa de reduzir a tensão causada pelas acusações de fraude eleitoral

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h03

O líder do partido governista, Rússia Unida, renunciou ontem ao cargo de líder da Duma, a Câmara Baixa, num aparente esforço para reduzir os protestos por causa das supostas fraudes nas eleições parlamentares do dia 4.

Boris Gryzlov, é o principal representante do partido depois do premiê Vladimir Putin. Profundamente leal a Putin nos oito anos em que foi presidente do Parlamento, Gryzlov teve um papel crucial na pacificação da Duma, afirmando que ela "não é lugar para embates políticos".

A decisão de Gryzlov ressalta a pressão sobre o partido, que perdeu a maioria constitucional nas eleições, ao obter 238 cadeiras das 450 da Câmara Baixa - nas eleições de 2007 o partido tinha obtido 315 cadeiras. Mas até mesmo esse resultado está sendo questionado por causa das especulações de que o partido teria fraudado a votação de várias maneiras.

No comunicado publicado no site do Rússia Unida, Gryzlov não entrou em detalhes sobre os motivos de sua saída. Ele disse apenas que continuará como um dos líderes do partido, mas deixará de ocupar uma cadeira no Parlamento.

Como presidente da Duma desde 2003 e presidente do Conselho Supremo do Rússia Unida, Gryzlov é um poderoso símbolo do sistema político dominado por mais de uma década por Putin e seu partido.

"Depois de trabalhar por oito anos seguido na Duma, consegui muito do que estava previsto e grande parte do que meus colegas e eu planejamos", declarou. "E embora a lei não imponha restrições, neste momento não irei para a Duma, por considerar inadequado continuar sendo o presidente da Câmara por mais de dois mandatos seguidos", disse Gryzlov.

Não foi informado de imediato o nome do seu substituto.

A decisão foi tomada após o enorme protesto de sábado contra o governo Putin, em Moscou, no qual dezenas de milhares de manifestantes reuniram-se para expressar sua frustração com o Rússia Unida e sua suposta cumplicidade nas fraudes eleitorais.

O partido foi perdendo consistentemente apoio no ano passado, por causa da indignação geral com o grau de corrupção da sociedade russa e a convicção de que os representantes do governo, particularmente do Rússia Unida, estão tirando proveito da falta de fiscalização em seus negócios.

Uma brincadeira na internet, que se referiu a Rússia Unida como o "partido dos malandros e dos ladrões", tornou-se tão popular que é comum ver a frase em camisetas e nos para-lamas dos veículos em Moscou. / NYT

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