Aliado de Yeltsin, Berezovsky fez fortuna após o comunismo

Conhecido como a "iminência parda" do Kremlin nos anos 90, o magnata russo Boris Berezovsky há anos é fonte de polêmica pela Europa. Nesta sexta-feira, 13, ele voltou a ganhar as manchetes dos sites dos principais jornais do planeta, depois de dizer em entrevista ao jornal britânico The Guardian estar financiando um golpe para derrubar um de seus principais desafetos, o presidente russo, Vladimir Putin.O empresário chegou a ter uma das maiores fortunas do continente e ocupou vários cargos de chefia em empresas russas após a queda do comunismo. Mas nos últimos anos ele vem ganhando notoriedade graças a sua oposição ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. "Ele é perigoso para a Rússia e também para o mundo", acusou Berezovsky em uma recente entrevista ao Estado.Berezovsky, doutor em física e matemática, tem pelo menos dois nomes e um passaporte israelense, além de seu documento russo. Como é procurado em várias partes do mundo, chega a realizar reuniões de negócios em seu iate em pleno mar Mediterrâneo. Uma fonte do Ministério Público brasileiro que interrogou o russo revelou ao Estado que nove celulares com números diferentes foram encontrados com o empresário, que sempre está acompanhado de pelo menos três seguranças.O magnata começou a juntar sua fortuna no apagar das luzes do comunismo. Ao perceber que o sistema iria ruir, comprava e vendia computadores para as instituições russas. Iniciou também uma aquisição frenética de carros em seu país. Assim que a União Soviética foi dissolvida, era o único a ter uma frota suficiente para iniciar uma empresa de revenda de carros diante do início da era capitalista.Seu próximo passo foi criar uma fábrica de carros, a Avtrovaz, e entrar no ramo de energia, principalmente o de petróleo, com a empresa Sibneft. Foi nomeado ainda presidente da Aeroflot e acusado de desviar milhões para bancos suíços. Sua aliança com o ex-presidente Boris Yeltsin abriu as portas para a compra de jornais e TVs e ainda o ajudou a eleger-se membro da Duma.Mas com a chegada à presidência de Vladimir Putin, Berezovsky se refugiou na Inglaterra em 1999, de onde não saiu até hoje. O russo é acusado de apoiar movimentos de oposição em países como a Ucrânia e Geórgia que conseguiram derrotar os políticos locais apoiados pelo Kremlin. Berezovsky estaria ainda envolvido com os rebeldes da Chechênia que teriam sido financiados em parte pelo dinheiro do magnata.Esse é um dos motivos que levou Putin a pressionar líderes mundiais a evitar contato com Berezovsky. O último deles foi o presidente do Estados Unidos, George W. Bush. O magnata russo mantém negócios com o irmão mais novo de Bush, Neil Bush. Os principais acordos entre o russo e o jovem Bush são no setor de petróleo.Putin chegou a pedir ao presidente americano que recomendasse a seu irmão suspender os contatos com o bilionário russo. Bush, porém, respondeu que seu irmão não ocupa nenhum cargo público e, portanto, não teria como impedir relações de negócios entre os dois. Por esse motivo, o caso Berezovsky ainda faz parte dos pontos delicados no relacionamento entre Washington e Moscou.Fanático por futebol, o magnata vem demonstrando interesse em tornar-se uma figura de peso no esporte. Mas a Fifa não esconde que está de olho em suas ações, tanto na Inglaterra como no Brasil.

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