Aliado do Hezbollah rejeita proposta de paz americana

Em visita relâmpago à Beirute nesta segunda-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, iniciou a primeira ofensiva diplomática dos Estados Unidos para pôr fim ao conflito entre Israel e o grupo guerrilheiro Hezbollah, que já dura 13 dias. Paralelamente, forças israelenses avançaram em território libanês, aprofundando os intensos combates com os guerrilheiros.Mantida em segredo por razões de segurança, a visita foi interpretada como um sinal de apoio dos Estados Unidos ao fragilizado governo do Líbano, incapaz de fazer frente à violência na região. Ainda assim, os americanos mantiveram inalterada a posição, compartilhada com os israelenses, de que a paz só poderá ser alcançada depois que os militantes do Hezbollah forem expulso da fronteira entre Líbano e Israel.Durante a visita, Rice reuniu-se com o primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, e outros líderes e parlamentares libaneses para analisar a violência que atinge o país. Saniora recebeu Rice com um beijo em cada bochecha, ao que a chancelar americana retribuiu: "Obrigada por sua coragem e perseverança". Isso, no entanto, não evitou que o encontro fosse tenso. Segundo o gabinete do premier, Saniora disse a Rice que o bombardeio israelense está "atrasando o país em 50 anos", e pediu um "cessar-fogo imediato". O primeiro-ministro também apresentou um pacote para uma solução permanente do conflito, o que inclui exigências antigas do governo libanês, como a libertação de libaneses mantidos presos por Israel e a retirada do Exército israelense das Fazendas de Shebaa - uma região de fronteira reivindicada pelo governo libanês.Saniora quer que Washington pressione por um cessar-fogo de Israel, cuja ofensiva já demoliu parte significativa da infra-estrutura do país e matou centenas de pessoas. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, no entanto, se opõe a um cessar-fogo imediato, argumentando que a raiz do problema precisa ser resolvida.Ao deixarem a reunião, que durou uma hora, Rice e Saniora não deram declarações. Aliado do HezbollahApós as conversas com o premier, a secretária de Estado também realizou uma visita curta ao presidente do parlamento libanês, Nabih Berri, um aliado próximo do Hezbollah. Horas depois do encontro, Berri se pronunciou rejeitando a proposta de Rice - que impõe a retirada dos guerrilheiros do sul do país como condição para um cessar-fogo de Israel. Para o aliado do Hezbollah, o cessar-fogo deve vir antes da retirada.Segundo uma autoridade próxima ao parlamentar, Berri teria dito que as conversas "não chegaram a lugar algum porque Rice insistiu em um pacote completo para por fim ao conflito".O pacote incluiria um cessar-fogo simultâneo ao envio do Exército libanês e uma força internacional para o sul do Líbano. A idéia é criar uma zona de segurança de 30 quilômetros entre os dois países, para evitar que os militantes continuem atirando foguetes contra o território israelense.Berri, por sua vez, propôs um plano de duas fases para que o conflito seja resolvido. Primeiro, um cessar-fogo deveria ser imposto, paralelamente a negociações para uma troca de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah. Em seguida, um diálogo entre as diferentes forças políticas do Líbano teria que ser travado para que a situação no sul do país seja discutida.Missão inéditaA missão de Rice é o primeiro esforço em terra para tentar resolver a crise iniciada pela captura e morte de soldados israelenses por militantes do Hezbollah.Rice chegou ao Líbano a bordo de um helicóptero militar vindo do Chipre. Depois de aterrissar, ela foi levada em um longo comboio de utilitários blindados para o gabinete do premier, no centro de Beirute.Na frente de batalha, novos conflitos foram registrados na fronteira entre Israel e Líbano, enquanto soldados israelenses aprofundavam suas operações na maior cidade libanesa próxima a fronteira - Bint Jbai, também conhecida como "a capital da resistência", devido seu intenso suporte ao Hezbollah durante a ocupação do sul do país, entre 1982 e 2000. Horas mais tarde, Rice seguiu para Israel, onde se encontrou com a ministra de Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni. Após se reunirem, as duas insistiram que o conflito na região só será solucionado depois de aplicada uma resolução da ONU que pede a retirada do Hezbollah da fronteira entre Líbano e Israel. Para elas, a "paz deve se basear em princípios sólidos".Texto atualizado às 20h05

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