Aliados barram denúncia contra Caracas na OEA

Venezuela reúne 21 votos, incluindo o do Brasil, para impedir discurso de María Corina Machado

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h03

Com apoio de 21 países, entre os quais o Brasil, a Venezuela conseguiu ontem impedir que sua crise política entrasse na pauta de discussões da OEA, em uma reunião que ocorreu a portas fechadas por decisão do mesmo grupo de integrantes do Conselho Permanente da entidade.

A situação da Venezuela tinha sido incluída na pauta a pedido do Panamá, que se tornou nos últimos meses o principal aliado dos que se opõem ao governo de Nicolás Maduro. Uma das principais vozes da oposição venezuelana, a deputada María Corina Machado foi nomeada integrante da delegação panamenha, o que permitiria que ela se manifestasse quando o tema fosse discutido.

Mas isso não chegou a ocorrer, porque os mesmos 22 países que votaram para que a sessão fosse fechada se manifestaram em favor da retirada da questão da agenda. Além de Brasil, Argentina e Uruguai, a posição de Caracas teve apoio dos 14 países caribenhos e dos integrantes do grupo da Aliança Bolivariana. Entre os que votaram pela sessão pública e a manutenção do tema na pauta estavam EUA, Canadá, Panamá e Peru.

Há duas semanas, a Venezuela havia obtido outra vitória na OEA ao conseguir dar caráter fechado à reunião do Conselho Permanente que aprovou uma resolução sobre a crise desencadeada por protestos iniciados seis semanas atrás.

O representante do Brasil, Breno Dias da Costa, justificou o voto de ontem pelo fechamento da reunião com o argumento de que ela se transformaria em um "circo" para a oposição, que teria como alvo o público externo. Segundo ele, o inevitável confronto entre María Corina e os representantes do governo venezuelano não ajudaria na busca de "entendimento e diálogo" entre os dois lados.

No fim do dia, a deputada conseguiu falar por alguns minutos em um segmento chamado "outros assuntos".

Ela apresentou seus argumentos contra o governo de Maduro em uma entrevista no início da tarde ao lado do representante do Panamá na OEA, Arturo Villarino. A deputada disse que o governo venezuelano é uma ditadura e pediu uma "transição para a democracia" com o uso de instrumentos constitucionais, entre os quais mencionou o referendo, uma Assembleia Constituinte e a renúncia do presidente.

"Com essa ação, eles demonstraram que têm medo de que se conheça a verdadeira magnitude da repressão na Venezuela, mas, ao impedir que se escute uma voz distinta à do regime, eles confessam o que está ocorrendo no meu país", declarou.

Ela também criticou o Brasil pelo apoio à Venezuela e disse que o passado militante da presidente Dilma Rousseff é inconsistente com o apoio a um regime que qualifica de não democrático. "Quando ela era só Dilma, ela foi presa e torturada."

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