Aliados chegam à Venezuela para funeral

Cristina, Evo e Mujica já estão na Venezuela; Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, é aguardado para o enterro, amanhã

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h04

Profundamente afetados pela morte de Hugo Chávez, os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Uruguai, José Mujica, e Evo Morales, da Bolívia, chegaram ontem a Caracas para participar das cerimônias de homenagem ao líder bolivariano. Logo pela manhã, Evo, visivelmente emocionado e vestindo uma jaqueta com o rosto de Che Guevara, esteve à frente do cortejo fúnebre, que levou o caixão de Chávez do hospital até a academia militar.

Os governos de pelo menos dez países - Cuba, Uruguai, Argentina, Equador, Bolívia, Brasil, Chile, Nicarágua, Bielo-Rússia e Irã - decretaram de um a sete dias de luto pela morte de Chávez.

Aliados de Chávez ao redor do mundo lamentaram ontem a morte do presidente. Sua retórica anti-EUA aproximou a Venezuela de países que mantêm relações tensas com os americanos. O Irã declarou um dia de luto nacional. O presidente Mahmoud Ahmadinejad estará no funeral de sexta-feira, de acordo com a agência Irna.

"Hugo Chávez é um nome conhecido por todas as nações. Seu nome é um lembrete de bondade, coragem, dedicação e incansáveis esforços para servir ao povo, especialmente aos pobres e àqueles excluídos pelo colonialismo e pelo imperialismo", disse Ahmadinejad. "Ofereço minhas condolências a todas as nações, à grande nação da Venezuela e a sua respeitosa família por esse acontecimento trágico."

Na Síria, a mídia estatal lembrou que o líder bolivariano tomou uma posição honrosa contra uma conspiração contra o presidente sírio Bashar Assad. Ano passado, Chávez enviou combustível para ajudar Damasco a superar a escassez causada pelas sanções internacionais. Ele descrevia a revolta contra Assad como um "complô internacional apoiado por potências ocidentais".

"O desaparecimento deste líder único é uma grande perda para mim, pessoalmente, e para o povo sírio, da mesma forma que é uma perda para o povo da Venezuela", afirmou Assad. "O povo sírio e eu estamos orgulhosos dos progressos qualitativos alcançados nas relações entre os nossos dois países. Chávez era um amigo fiel que se opôs à guerra contra a Síria."

Na Rússia, o presidente Vladimir Putin chamou Chávez de um "homem extraordinário e forte que olhava para o futuro e sempre pensava grande". O embaixador russo na ONU, Vitali Churkin, disse que a morte de Chávez é uma "tragédia". "Ele foi um grande político", afirmou Churkin.

Pequim. O presidente chinês, Hu Jintao, que deixa o poder este mês, e seu sucessor, Xi Jinping, também enviaram condolências a Nicolás Maduro, presidente interino da Venezuela até as eleições. O porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, caracterizou o líder venezuelano como um "bom amigo do povo chinês".

A China construiu uma amizade forte com Chávez em razão do petróleo. Bilhões de dólares em empréstimos chineses, quitados com exportações do produto, ajudaram a financiar programas sociais que tornaram Chávez popular na Venezuela. / AFP, REUTERS e AP

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