Aliados concordam com papel da Otan em intervenção na Líbia

EUA, França e Reino Unido comandam incursão contra avanço das tropas do ditador Kadafi

Agência Estado

22 de março de 2011 | 16h56

Atualizado às 19h32

 

SAN SALVADOR - O presidente dos EUA, Barack Obama, seu homólogo francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, concordaram que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve ter um papel importante na estrutura de comando da missão na Líbia, informou nesta terça-feira, 22, a Casa Branca. Paris e Londres confirmaram a posição dos líderes.

 

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Obama telefonou para Cameron e para Sarkozy para discutir a situação na Líbia, onde os três países lideram ataques aéreos contra as forças do líder Muamar Kadafi. "Eles examinaram o progresso substancial que tem sido feito no impedimento do avanço das forças de Kadafi em Benghazi, bem como o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea", disse Ben Rhodes, porta-voz da Casa Branca.

 

 

Eles também concordaram que a "Otan deve ter um papel importante na estrutura de comando futura", disse Rhodes, que viaja com Obama e está em El Salvador, a última fase de sua viagem por três países da América Latina. Antes, o presidente americano passou por Brasil e Chile.

 

 

Apesar da opinião convergente dos aliados apontada no comunicado do governo americano, há relatos de versões diferentes. A França inicialmente não queria a participação da aliança na Líbia, mas depois emitiu um comunicado concordando com a ação. A nota afirma que Sarkozy e Obama "concordaram nas modalidades de uso das estruturas do comando da Otan para apoiar a coalizão".

 

A Turquia, por sua vez, se opôs abertamente à entrada da Otan na incursão, embora um alto militar americano tenha dito que "todas as preocupações dos turcos sobre a intervenção foram esclarecidas".

 

A coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca, Romênia e Espanha deu início no sábado, 19, a uma intervenção militar na Líbia, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A medida prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de "quaisquer medidas necessárias" para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi, que está no poder há 41 anos e enfrenta um revolta há mais de um mês.

 

Trípoli, capital da Líbia e reduto dos apoiadores de Kadafi, teria sofrido novos ataques nesta terça. Explosões foram ouvidas na cidade. A origem delas ainda é desconhecida, mas o fato de a defesa antiaérea ter sido acionada indica tratar-se da quarta noite consecutiva de bombardeios promovidos pelos EUA e seus aliados para a imposição da zona de exclusão aérea.

 

Na noite anterior, a coalizão militar sofreu sua primeira perda significativa, quando um caça de combate americano foi abatido no leste do país. Os tripulantes, no entanto, conseguiram ejetar. Com informações da Dow Jones e Associated Press.

 

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