Sven Hoppe / dpa / AFP
Sven Hoppe / dpa / AFP

Aliados conservadores de Merkel perdem maioria na Baviera

Eleição demonstra a perda progressiva de poder dos partidos que representavam o coração da vida política alemã desde a 2.ª Guerra; Partido Verde é um dos vitoriosos

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2018 | 19h45

O sistema político da Alemanha sofreu neste domingo, 14, um abalo inédito em razão do resultado das eleições na Baviera, um dos Estados mais ricos e importantes do país. No poder desde os anos 50, a conservadora União Social-Cristã (CSU) perdeu a maioria que detinha no Parlamento e será incapaz de formar uma “grande coalizão” com as demais legendas tradicionais – o Partido Social-Democrata (SPD) e os Liberais (FDP)

A eleição demonstra a perda progressiva de poder dos partidos que representavam o coração da vida política alemã desde a 2.ª Guerra.

Segundo as projeções, os social-cristãos chegarão à frente com 35,5% dos votos – há cinco anos haviam conquistado 47,7%. Em segundo lugar ficou o Partido Verde, com 18,5%, e em terceiro os Conservadores Independentes (Freie Wähler), com 11,5%. 

Considerada uma força emergente, a legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 11% dos votos e, embora tenha conseguido escore suficiente para ingressar no Parlamento regional, não poderá reivindicar o poder em nenhuma hipótese.

Os grandes derrotados da eleição foram o SPD, que fechou a eleição com 10% dos votos, e FDP, que com 5% quase foi impedido de entrar no Parlamento em razão da cláusula de barreira. O mau desempenho das duas legendas, somada à vitória amarga da CSU, significa que os conservadores terão dificuldades para formar um governo e se manter no poder, já que terão de negociar uma coalizão multipartidária.

O resultado da eleição é um revés para a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, cujo partido, a União Democrata-Cristã (CDU), é a legenda “irmã” da CSU em nível nacional. Além da perda de força de seu aliado histórico, a chefe de governo também viu seu parceiro de coalizão, o SPD, ser derrotado na Baviera, o que deve reforçar os apelos da base para que o partido de centro-esquerda abandone a aliança nacional com a CDU e retorne à oposição. 

Para cientistas políticos como Jens Althoff, da Fundação Heinrich-Böll, a eleição regional mostra a perda de força do partido conservador e o início de uma era no sistema político alemão, marcada pela decadência dos partidos tradicionais e pela ascensão de novas forças e líderes, como o Partido Verde, capitaneado por Katharina Schulze, de 33 anos.

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