Aliados de Berlusconi buscam perdão presidencial

Os principais assessores de Silvio Berlusconi estão empenhados em obter o perdão presidencial para que o ex-primeiro-ministro italiano não tenha que cumprir a pena de prisão por fraude tributária e a proibição do exercício de função pública por cinco anos.

ASSOCIATED PRESS, Agência Estado

03 Agosto 2013 | 17h17

Renato Brunetta, líder do partido de Berlusconi, o Povo da Liberdade, disse neste sábado que ele e o ex-presidente do Senado, Renato Schifani, pediram uma reunião com o presidente italiano, que pode conceder o perdão. Separadamente, Sandro Bondi, assessor jurídico de longa data de Berlusconi, alertou sobre uma possível "guerra civil", se a punição decretada ao magnata da mídia italiana não for suspensa.

Os aliados de Berlusconi também pediram aos 10 milhões de italianos que votaram no líder conservador nas eleições deste ano que tomem as ruas de Roma neste domingo para protestar contra a decisão da Suprema Corte da Itália, que na quinta-feira confirmou a sentença de quatro anos de prisão. Foi a primeira vez que Berlusconi foi condenado e sentenciado em duas décadas de julgamentos e outras investigações criminais.

Expondo o nervosismo na coalizão do primeiro-ministro Enrico Letta, o vice-ministro de Economia, Stefano Fassina, classificou o pedido de perdão como "uma provocação inaceitável" e as palavras de Bondi como "beirando a subversão". A frágil coalizão de Letta corre o risco de entrar em colapso, se o Povo da Liberdade retirar o seu apoio.

O ministro de Interior, Angelino Alfano, tido como herdeiro político de Berlusconi, afirmou que ele e outros ministros que apoiam o magnata da mídia talvez devessem renunciar em protesto contra a condenação.

O ex-premiê italiano insiste ser vítima de promotores e juízes que, de acordo com ele, são simpatizantes da esquerda. "Neste país, a democracia foi mutilada" pela decisão da Suprema Corte, disse Daniela Santanche, uma das aliadas mais próximas de Berlusconi, à Sky TG24 TV.

Mas o ex-premiê não deve ir para prisão. Uma lei aprovada em 2006 para conter a superlotação nas penitenciárias deve reduzir a condenação a no máximo um ano e, como ele tem mais de 70 anos de idade, poderá optar por cumprir prisão domiciliar ou serviços sociais.

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