Aliados de Berlusconi recebem denúncia de fraude com cautela

Os principais aliados do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, reagiram nesta quinta-feira com cautela à denúncia de que houve "tantas fraudes" nas eleições gerais que o resultado "deve mudar". Representantes da direitista Aliança Nacional (AN) e da União dos Democrata-Cristãos (UDC) não usaram a palavra "fraude". Já o ministro do Interior italiano, Giuseppe Pisanu, do Forza Itália (partido de Berlusconi), evitou comentar o assunto. Berlusconi se recusou a reconhecer a vitória de Romano Prodi e da sua coalizão de centro-esquerda União, na votação realizada no domingo e segunda-feira passados, até que os votos sejam verificados. Nesta quarta-feira, ele se referiu a "fraudes". "Está fazendo um lindo dia", disse Pisanu aos jornalistas que lhe perguntaram pelas declarações de Berlusconi. Pisanu se reuniu com o primeiro-ministro, que afirmou que as irregularidades aconteceram em "toda" a Itália e é preciso analisar as atas de 60 mil seções. Dúvida Ao ser informado sobre o comentário do adversário, Prodi disse que "não há qualquer dúvida" sobre sua vitória. "A situação me parece mais tranqüila agora", disse à imprensa o ex-presidente da Comissão Européia, que conversou na quarta-feira à noite com Pisanu. Um dos líderes da AN, o deputado Ignazio La Russa, disse que, pessoalmente, não tinha "informações sobre fraudes", embora tenha acrescentado que não tem acesso às mesmas fontes que Berlusconi. Pedido Na quarta-feira à noite, o primeiro-ministro afirmou em nota que a União ganhou na Câmara dos Deputados por apenas um décimo, o que exigiria "uma meticulosa verificação e um controle rigoroso para comprovar cada erro ou irregularidade". O secretário da UDC, Lorenzo Cesa, apoiou o pedido. Para ele, os votos devem ser verificados, porque "é preciso entender a ligação entre as atas e a transmissão por telefone (dos dados), mas não acho que alterem o resultado eleitoral". Nova votação O ministro das Comunicações italiano, Maurizio Gasparri (AN), considerou que, se o controle das cédulas for favorável à coalizão de centro-direita, "seria melhor votar de novo". Ele garantiu que a União terá "dificuldades" para iniciar a legislatura, pois é impossível "governar com dois ou três votos de diferença". A apuração de votos está cercada de polêmica. Há 43 mil cédulas questionadas oficialmente e outros 38 mil votos teriam desaparecido na Suíça. Além disso, na última quarta foram encontrados 900 votos em um depósito de lixo em Roma. O líder da União se disse surpreso na última quarta com as suspeitas levantadas por Berlusconi, quando ele "dispõe de todos os controles". Ou Berlusconi "não confia em si mesmo ou talvez tenha uma espécie de crise de identidade", ironizou.

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