Aliados de Cristina concentram 41% de publicidade oficial

Veículos simpáticos ao kirchnerismo que não se encaixam em Lei de Mídia têm brechas para driblar proibições previstas

Ariel Palacios, Enviado especial - O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2013 | 02h06

BUENOS AIRES - Dados do governo argentino divulgados ontem indicam que desde 2009 os principais grupos de mídia simpáticos ao governo da presidente Cristina Kirchner receberam 41% do total da publicidade oficial distribuída pela Casa Rosada, um total de US$ 333 milhões. O restante dos investimentos em anúncios do governo foi fragmentado entre dezenas de outras empresas de mídia.

Os líderes da oposição criticam a distribuição da publicidade do governo e acusam a presidente de formar um "amigopólio", denominação irônica do grupo de meios de comunicação que defende o governo, além de omitir notícias negativas sobre a gestão presidencial.

O Grupo Veintitrés, que reúne vários meios de comunicação com uma linha editorial próxima do kirchnerismo, recebeu US$ 44 milhões em publicidade oficial desde 2009. O Grupo Clarín, que edita o jornal de mesmo nome, recebeu US$ 16 milhões. A diferença está na tiragem. Enquanto o Tiempo Argentini, jornal de cabeceira da presidente Cristina, tem 30 mil exemplares diários, o Clarín chega a 270 mil unidades por dia.

Dos cinco grupos mais beneficiados - Grupo Veintitrés, Uno Medios, Telefé, Página 12 e Albavisión -, três possuem canais de TV aberta e canais de TV a cabo ao mesmo tempo, situação proibida pela Lei de Mídia do governo Kirchner, em discussão na Justiça.

A situação da Telefé e da Albavisión também é irregular, uma vez que são de grupos estrangeiros. Embora a posse de canais por parte de estrangeiros seja proibida, o governo defende publicamente esses casos. Segundo a Casa Rosada, a Telefé, de capital espanhol, está protegida por estar dentro da Lei de Bens Culturais, enquanto que o Nueve é beneficiado pela Lei de Reciprocidade de Investimentos com os Estados Unidos. Remígio González, embora seja um empresário mexicano, registrou a empresa em território americano.

A empresa de González, Albavisión, está presente em Costa Rica, Honduras, Nicarágua, Peru, Equador, Bolívia e Chile. O canal, que possui diversos programas de respaldo ao governo Kirchner, recebeu US$ 128,3 milhões em publicidade oficial. Seu gerente é Ricardo Palacios, ex-integrante do governo Kirchner.

CONFRONTO

Atualmente o governo e o Grupo Clarín mantêm um duro confronto pela Lei de Mídia, que ainda não está em pleno vigor. A holding multimídia conseguiu frear na Justiça os artigos da lei que obrigariam a empresa a vender a maior parte de seus canais de TV e estações de rádio.

O caso está sendo analisado pela Corte Suprema de Justiça, que está ouvindo ambos os lados. Os juízes devem emitir um parecer sobre o caso após as eleições parlamentares de outubro.

Cristina e o Clarín romperam ainda no primeiro mandato da presidente, durante um locaute de produtores rurais.

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