Alejandro Pagni/AFP
Alejandro Pagni/AFP

Aliados de Cristina Kirchner querem segunda reeleição da presidente

Máximo Kirchner, filho da presidente, poderia ser candidato parlamentar no ano que vem

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

02 Maio 2012 | 16h14

BUENOS AIRES - "A continuidade de Cristina Kirchner deve ser Cristina Kirchner". Este é o postulado que diversos setores do kirchnerismo estão pronunciando sobre os debates da sucessão da presidente argentina.

 

Embora Cristina tenha sido reeleita em outubro passado - e iniciado seu segundo mandato em dezembro - um dos principais referenciais do setor denominado "ultra-kirchnerista", a deputada Diana Conti, admitiu em declarações à imprensa que os aliados da presidente pretendem implementar uma reforma da constituição nacional argentina, de forma a permitir uma eventual segunda reeleição.

 

Atualmente, o kirchnerismo não conta com nenhuma outra figura de peso no governo além da própria presidente Cristina. Desta forma, caso fosse reeleita em 2015, Cristina governaria a Argentina até 2019.

 

'Palavrão'

 

"Por mais que a segunda reeleição seja uma espécie de palavrão na Argentina, eu admito que ficaria muito feliz que a presidente Cristina decidisse ter a oportunidade de continuar no comando do país", disse Conti. Ela argumentou que "é preciso mudar a constituição atual, já que a atual carta magna, reformada em 1994 teve a matriz liberal e conservadora. Seria preciso fazer uma reforma constitucional que dê uma virada no sistema de poder da Argentina".

 

Conti, em conjunto com outros pesos-pesados do kirchnerismo no Parlamento - Julián Dominguez, presidente da Câmara, e o deputado Carlos Kunkel - estão avaliando o momento adequado de lançar a campanha da "re-releição" de Cristina, sem que isso gere uma imagem de perpetuidade no poder.

 

Filósofos e juristas "kirchnerófilos" debateram o formato da eventual reforma constitucional durante uma conferência pública na semana passada.

 

Os analistas políticos indicam que a melhor forma de instalar a reforma é a de iniciar com apelos genéricos para uma mudança profunda da carta magna. Posteriormente, quando a reforma estiver em andamento, abririam o debate sobre um novo mandato de Cristina, atualmente proibido pela lei.

 

Filho presidencial

 

Os kirchneristas também admitem que existe uma possibilidade de que Máximo Kirchner, filho primogênito da presidente Cristina e do ex-presidente Nestor Kirchner (que morreu em outubro de 2010), seja candidato a deputado federal nas eleições parlamentares do ano que vem.

 

"Máximo é uma pessoa muito bem formada, muito pensante e possui capacidade e maturidade para ser parlamentare. Segundo o deputado Fernando Navarro, Máximo seria candidato pela província de Buenos Aires, onde concentra-se grande parte do eleitorado kirchnerista.

 

Máximo Kirchner é o presidente nominal de "La Cámpora", denominação da juventude kirchnerista, que ocupa cada vez mais espaços de poder dentro do governo.

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