Aliados de ditador sírio sofrem massacre

Combatentes da Frente Nusra, ligada à Al-Qaeda, invadiram na terça-feira Maksar al-Hesan, vilarejo alauita perto de Homs, no oeste da Síria, e mataram a tiros 22 pessoas, informaram moradores e profissionais de saúde. Relatos do massacre foram confirmados ontem ao Estado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Dos mortos, 16 são alauitas, seita do presidente Bashar Assad que representa 12% da população síria.

LOURIVAL SANTANNA, ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2013 | 02h12

Sami Haddad, representante do Observatório em Beirute, mostrou ao Estado a lista dos mortos, entre eles sete mulheres, quatro crianças e três homens com mais de 65 anos. Havia um casal, ele com 83 anos e a mulher, com 75; uma mulher de 90 anos e outra de 75; um homem de 69 e outro de 64; e uma mãe de 40 anos e seus dois filhos, de 10 e 12.

Na região oeste se concentram os alauitas, ramificação da corrente xiita, majoritária no Irã, aliado do regime sírio. A Frente Nusra é um grupo radical sunita, corrente que representa 74% dos sírios. Esse e outros grupos sunitas são financiados por famílias ricas da Arábia Saudita, rival regional do Irã, e de outras monarquias do Golfo Pérsico. Não é o primeiro massacre de alauitas na guerra civil.

A minoria cristã, 10% da população, também tem sido perseguida, embora em menor escala. O vilarejo de Maaloula, 50 km a nordeste de Damasco, onde há conventos e santuários cristãos, foi atacado no dia 4 pelo Exército Sírio Livre (ESL), de inspiração laica, numa operação conjunta com a Frente Nusra. Um jordaniano do grupo radical se explodiu na frente de soldados sírios que guardavam a entrada da cidade, abrindo caminho para a invasão. Oito soldados sírios foram mortos.

Combatentes das Forças de Defesa Nacional, milícia comandada por membros do clã Assad, e dos Comitês Populares, treinados pelo grupo xiita libanês Hezbollah, atacaram os rebeldes, que recuaram para o Hotel Safir Maaloula, que fica fora da cidade. Ali Diab, um rebelde de Yabroud, cidade com santuários cristãos a 19 km de Maaloula, disse ao Estado na terça-feira que a Frente Nusra tinha se retirado da área e o vilarejo estava ocupado pelo ESL. Na quarta-feira, um enviado da BBC informou que havia intensos combates em torno de Maaloula. Dezenas de combatentes morreram dos dois lados. Segundo Diab, uma freira do Convento de Santa Tecla, mártir cristã do século 1.°, os combatentes não atacaram os cristãos. Outra freira tinha dito que eles tinham percorrido as ruas gritando que, quem quisesse continuar vivo, deveria converter-se ao Islã. Diab disse que há moradores cristãos em Yabroud, ocupada pelos rebeldes, com os quais convivem pacificamente.

Em Qusair, na fronteira com o Líbano, ocupada pela Frente Nusra no primeiro semestre, todas as imagens cristãs foram destruídas e as paredes das igrejas, pichadas com frases em favor do Islã e contra o cristianismo, contou ao Estado um fotógrafo da France Presse que esteve na cidade. Milhares de cristãos fugiram e voltaram em junho, depois da retomada da cidade pelas Forças de Defesa Nacional.

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