Federico Rios/The New York Times
Federico Rios/The New York Times

Aliados de Evo Morales levam corpos de manifestantes a protesto

Multidão foi dispersada pela polícia com bombas de gás lacrimogêneo em La Paz

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 22h19

LA PAZ - Partidários do ex-presidente Evo Morales marcharam nesta quinta-feira, 21, pelas ruas de La Paz com os cadáveres de cinco manifestantes dos oito mortos pela polícia na terça-feira. Após tentarem furar o cordão de isolamento da Praça Murillo, epicentro do poder político da Bolívia, a multidão entrou em confronto com policiais, que lançaram bombas de gás lacrimogêneo.

Na terça-feira, oito pessoas morreram quando a polícia e soldados do Exército atacaram a refinaria de Senkata, em El Alto, nos arredores de La Paz, em uma tentativa de liberar o local ocupado por partidários de Evo e normalizar o fornecimento de combustível da capital. 

Nesta quinta, dia dos funerais, os caixões foram levados de El Alto para La Paz. Na Praça do Obelisco, a quatro quarteirões da Praça Murillo, onde está localizado o Congresso e o palácio do governo, os manifestantes protestaram contra a presidente interina, Jeanine Áñez, a quem responsabilizaram pela violenta repressão. “Assassinos”, gritavam.

Os caixões foram retirados dos caminhões e carregados pelos manifestantes, que tentaram furar o bloqueio – um dos ataúdes chegou a ser colocado sobre um veículo blindado. Quando parecia que a situação estava fugindo do controle, uma chuva de gás lacrimogêneo dispersou a multidão. Pelas imagens de TV, era possível ver o atendimento a vários feridos – embora as autoridades não tenham divulgado detalhes.

A poucos metros dali, o Senado da Bolívia trabalhava para chegar a um consenso para aprovar uma lei convocando eleições gerais e conter a crise, que já deixou 32 mortos em um mês. Os senadores pretendem nomear um novo tribunal eleitoral antes de marcar uma data para a votação.

Por meio de um acordo entre governistas e opositores, uma comissão do Senado começou, na quarta-feira, a analisar dois projetos de lei para a convocação de novas eleições, os quais incluem a renovação total dos ministros do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) e de nove tribunais departamentais. 

Um texto foi enviado pela presidente interina e o outro foi apresentado pelo esquerdista Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Evo, que tem maioria no Congresso. Aliados do ex-presidente desconfiam que Jeanine esteja adiando as eleições porque dificilmente seu grupo se manteria no poder – nas eleições de outubro, o partido da presidente interina, o Unidade Democrata, obteve apenas 4,24% dos votos.

Exilado no México, Evo afirmou nesta quinta que o governo de Jeanine pretende incriminá-lo como instigador dos protestos violentos. O ex-presidente citou um vídeo divulgado na quarta-feira pelo ministro do Interior, Arturo Murillo. Na gravação, Evo incentivaria um cerco a cidades bolivianas para impedir a chegada de comida.

Nesta quinta, a Entel, estatal de telecomunicações da Bolívia, retirou do ar a TeleSUR, emissora ligada ao chavismo. Patricia Villegas, presidente da empresa, acusou o governo boliviano de “censura”. “Disseram que estavam com problemas técnicos. Mas a censura não aceita eufemismos”, afirmou. / AFP

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