Aliados de Milosevic podem voltar ao poder na Sérvia

Os eleitores sérvios encaram hoje uma escolha difícil para preencher as 250 cadeiras do Parlamento. De um lado, estão os ultranacionalistas, que incluem aliados de Slobodan Milosevic e suspeitos de crimes de guerra. De outro, partidos pró-democracia que ajudaram a derrubar o ex-ditador, mas acabaram não correspondendo às expectativas da população.Ao que parece, os sérvios deverão optar pelo nacionalismo. O Partido Radical Sérvio, de extrema direita, deve ficar com a maioria dos votos entre os 19 partidos da coalizão. Importante aliado de Milosevic, sua lista de candidatos inclui o ex-ditador, além do líder do partido, Vojislav Seselj, e outros dois suspeitos de terem cometido crimes de guerra indiciados pelo Tribunal Internacional das Nações Unidas em Haia, na Holanda, o mesmo que está julgando as atrocidades de Slobodan durante as guerras nos Bálcãs.O partido é favorável à expansão das fronteiras da Sérvia e tinha em Saddam Hussein seu principal aliado internacional. "Não podemos dizer quem vai formar a maioria na Casa, não é uma situação clara", disse Marko Blagojevic, um observador independente. "Vai ser uma competição de verdade".De acordo com pesquisas pré-eleitorais, os radicais devem levar cerca de um quarto dos votos - mais do que qualquer partido - enquanto os três principais partidos pró-democracia podem ficar com mais de 50%. O restante deverá ficar com partidos menores, incluindo os socialistas do ex-partido de Milosevic, que deverão receber 8% dos votos.Apesar de os principais partidos democráticos - todos eles pertencentes ao bloco que derrubou Slobodan Milosevic em 2000 - poderem formar um governo e fazer frente aos radicais, suas disputas internas podem se tornar um obstáculo considerável.Um outro cenário, com os radicais se aliando a partidos menores e conquistando a almejada maioria no Parlamento, não só poderia afundar o país num caos econômico e social ainda maior e acabar desestabilizando a região inteira como também colocaria um ponto final nos esforços da União Européia e dos Estados Unidos em criar na Sérvia uma liderança democrática pró-Ocidente.A região ainda se recupera das guerras étnicas que assolaram países como Bósnia e Croácia na década de 90. Em Kosovo (atualmente controlada pelas Nações Unidas), região que abriga 100 mil sérvios, a maioria da população albanesa vai boicotar as eleições.

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