Aliados de premiê deposto vencem eleição tailandesa

Partidários de Thaksin Shinawatra, porém, precisam formar coalizão de governo para alcançar maioria absoluta de 241 cadeiras no Parlamento

AP e REUTERS, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2007 | 00h00

Membros do Partido do Poder do Povo (PPP), aliado do ex-primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, declararam vitória ontem nas primeiras eleições gerais da Tailândia desde o sangrento golpe de Estado de setembro de 2006.Com 95% dos votos apurados, o partido conquistou 228 das 480 cadeiras da Câmara Baixa do Parlamento, enquanto seu adversário, o Partido Democrático (PD), alcançou 166, indicaram dados não-oficiais da Comissão Eleitoral do país. Espera-se que o resultado final seja divulgado hoje.Apesar de o partido não ter conquistado a maioria absoluta de 241 cadeiras, o resultado foi analisado como uma derrota para o Exército e uma rejeição ao golpe militar que depôs Thaksin, ainda amplamente popular entre a majoritária população rural do país.Em sua plataforma de governo, o PPP defendeu o retorno de Thaksin do exílio em Londres e a continuidade de suas políticas populistas.O líder do PPP, Samak Sundarajev, afirmou esperar que Thaksin volte à Tailândia após a formação de um governo de coalizão com um dos cinco partidos menores do país - processo que pode levar um mês. "Com certeza serei o próximo primeiro-ministro", afirmou Samak, que completou: "Convido todos os partidos a participar de nosso governo."O líder dos democratas, Abhisit Vejjajiva, afirmou ontem que a eleição foi uma disputa acirrada. "Se o PPP conseguir formar uma coalizão, o Partido Democrático estará pronto para se tornar a oposição. Se o PPP fracassar, então formaremos nossa própria coalizão", afirmou. A grande questão é se o Exército e a elite monárquica - acusada pelos partidários de Thaksin de ter sido a idealizadora do golpe - permitirão que o ex-premiê, processado por corrupção, retorne sem problemas à Tailândia na esteira da vitória de seus aliados.Analistas temem que o resultado leve a um novo golpe de Estado. Outros indicam que, para evitar a vitória do PPP, o governo tente desqualificar alguns de seus candidatos sob acusação de fraude eleitoral. A Comissão Eleitoral afirmou ter recebido mais de 750 reclamações de fraude, das quais considerava seriamente apenas 157. Ontem não estava claro quantas das reclamações poderiam levar à desqualificação de candidatos.

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