EFE/KAMIL KRZACZYNSKI
EFE/KAMIL KRZACZYNSKI

Aliados de Trump iniciam campanha contra encarregado de investigá-lo

Amigo do presidente diz que ele está analisando a demissão do procurador especial Robert Mueller

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 20h50

Aliados ultraconservadores de Donald Trump iniciaram uma campanha para minar a credibilidade de Robert Mueller, procurador responsável pela investigação sobre a interferência da Rússia na eleição americana de 2016, depois de espalharem que o presidente planejava demiti-lo, informação desmentida pela Casa Branca.

Em entrevistas a redes de TV, declarações em rádios e posts no Twitter, eles acusam Mueller de não ter imparcialidade para conduzir o caso, por ter incluído três advogados que fizeram doações ao Partido Democrata em sua equipe.

“Os republicanos estão delirando se pensam que o procurador especial será justo. Olhem quem ele está contratando”, escreveu no Twitter o ex-presidente da Câmara dos Deputados Newt Gingrich, um dos conselheiros informais do presidente. “Momento de repensar”, ressaltou.

Na segunda-feira, um dos mais próximos amigos de Trump, Christopher Ruddy, disse à emissora PBS que o presidente cogitava demitir Mueller. “Eu acredito que ele está examinando essa opção”, afirmou. “Pessoalmente, acho que seria um erro significativo, ainda que eu acredite que não há justificativa (para a designação de um procurador independente).”

Ruddy, que questionou a imparcialidade de Mueller, deu a declaração depois de ter passado a tarde na Casa Branca. O porta-voz de Trump, Sean Spicer, disse que ele não se reuniu com o presidente durante a visita.

O afastamento de Mueller seria explosivo e criaria paralelos imediatos com Richard Nixon, que sofreu processo de impeachment e acabou renunciando. No episódio conhecido como “Massacre de Sábado à Noite”, o secretário de Justiça e o subsecretário de Justiça deixaram seus cargos em 1973 por se recusarem a cumprir a ordem do então presidente de demitir Archibald Cox, procurador independente que investigava o Watergate.

A princípio, Mueller só pode ser afastado por Rod Rosenstein, o subsecretário de Justiça que o nomeou para comandar a investigação sobre a interferência russa, embora exista a hipótese de demissão diretamente pelo próprio Trump. Em depoimento nesta terça-feira no Senado, Roseinstein declarou que Mueller só pode ser demitido por uma “justa causa”, que ele considera inexistente. “Sou obrigado a descrever essa justa causa por escrito”, disse aos senadores.

O afastamento de Mueller foi desaconselhado por vários republicanos, entre os quais o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan. “Conheço Bob Mueller. Tenho confiança em Bob Mueller”, declarou. O procurador foi nomeado para a chefia do FBI em 2001 pelo então presidente republicano George W. Bush. Tudo indica que os aliados mais extremistas de Trump continuarão a atacar Mueller.

“Agora sabemos que Mueller contratou um bando de doadores de Obama e (Hillary) Clinton”, disse o apresentador de rádio de extrema direita Rush Limbaugh em seu programa de segunda-feira.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.