Aliados divididos sobre futuro governo do Afeganistão

A instalação de um governo de ampla base em um eventual período "pós-Taleban" conta com o aval explícito de todas as forças aliadas contra o regime de Cabul, mas, ao mesmo tempo, aumentam as discordâncias sobre como realizar esta idéia. Enquanto a campanha militar anglo-americana prossegue metodicamente, há crescentes divergências sobre como preencher o vazio político que uma eventual derrota dos taleban deixaria para trás. Todas as partes professam uma adesão formal à idéia de um futuro governo de ampla base, mas não parecem estar de acordo sobre o que efetivamente querem os distintos governos, para não falar das distintas facções afegãs. O Paquistão, por sua vez, enfatiza a necessidade de os "membros moderados" do Taleban fazerem parte de um futuro governo. A Rússia, por outro lado, que financia e arma a Aliança do Norte (anti-Taleban), considera inaceitável a participação do movimento islâmico fundamentalista. Os Estados Unidos, desejosos de manter um amplo apoio à sua "guerra contra o terrorismo", parecem deliberadamente indefinidos. Washington considera que o Paquistão e outros países interessados deveriam apresentar suas sugestões, sem, no entanto, contar com poder de veto na formação de um futuro governo em Cabul. O sintoma mais claro da falta de um plano para o futuro político do Afeganistão é a proposta norte-americana de confiar às Nações Unidas o papel de guia na formação do próximo governo afegão, inclusive recorrendo ao envio de forças de paz ao Afeganistão. A perspectiva de enviar forças a um país potencialmente hostil - onde os Estados Unidos destacaram que não queriam a presença por muito tempo de suas próprias tropas - provocou hoje uma dura réplica por parte de Lakhdar Brahimi, representante da ONU para o Afeganistão. "As Nações Unidas receberiam com prazer a possibilidade de ajudar o povo afegão a reconstruir o país (...) Mas o Afeganistão é um país muito difícil. É um povo muito altivo, que não gosta de ser mandado por estrangeiros. Os afegãos não gostam da presença de estrangeiros, especialmente vestindo uniforme militar", afirmou. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, lembrou o contraste entre a campanha militar norte-americana e o processo político, durante sua viagem ao Paquistão, onde esteve nesta semana para assegurar o apoio do general Pervez Musharraf à ofensiva contra os talebans. Interrogado sobre o futuro político do Afeganistão, Powell disse: "Não tenho como sabê-lo, não tenho possibilidade de prever agora o futuro". Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.