Anna Moneymaker/The New York Times
Anna Moneymaker/The New York Times

Aliados do ex-presidente tentam expurgar dissidentes da legenda

Peter Meijer, deputado de Michigan, que votou contra Trump no impeachment, é um dos que têm cargo ameaçado

Beatriz Bulla / Correspondente , O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2021 | 04h00

WASHINGTON - Tom Norton, republicano que tenta chegar à Câmara pela região de Grand Rapids, no Estado de Michigan, aposta em derrota dos nomes que se voltaram contra Donald Trump em futuras eleições. Na disputa de 2020, Norton ficou em terceiro lugar entre os candidatos do partido que concorreram a uma cadeira de deputado.

O eleito foi Peter Meijer, um dos dez republicanos que votaram pelo impeachment de Trump na Câmara. Diferentemente da maioria, que preferiu votar silenciosamente, Meijer fez um pronunciamento contra o ex-presidente durante a sessão. 

“O único homem que poderia ter restaurado a ordem, evitado a morte de cinco americanos, incluindo um oficial da polícia do Capitólio, e evitado a profanação de nosso Capitólio, encolheu-se quando nosso país mais precisava”, disse o deputado.

Norton já anunciou sua candidatura para desafiar Meijer em 2022, quando acredita que o eleitorado de Michigan abandonará os republicanos anti-Trump. “A base continua com Trump porque é formada pela classe média. Por 30 anos, o establishment do partido trocou empregos da classe média por acordos com o México e com a China. Em apenas quatro anos, a classe média ganhou o respeito da Casa Branca. Trump restaurou a esperança entre esse eleitorado”, afirma Norton, que acredita nas teorias da conspiração propagadas por parte dos apoiadores do presidente. 

Na pesquisa Morning Consult/Politico, os nomes de possíveis adversários de Trump na disputa interna do partido em 2024 ficam bem atrás do patamar de apoio ao ex-presidente. Mike Pence, ex-vice de Trump e fiel aliado, teria apoio de 12% dos republicanos. No dia do ataque ao Capitólio, Pence era chamado de “traidor” pelos fanáticos que buscavam impedir a oficialização da vitória de Joe Biden, que era conduzida por ele.

Outros nomes que já se apresentam como virtuais candidatos, como Nikki Haley, Ted Cruz e mesmo o filho Donald Trump Jr., teriam cerca de 5% do eleitorado. O senador republicano Mitt Romney, único a votar pela condenação de Trump nos dois processos de impeachment, tem só 4% de apoio.

Apesar do voto de sete republicanos pela condenação do ex-presidente no Senado, um recorde de deserção em um processo de impeachment, a maioria dos republicanos seguiu a orientação da base. Agora, os dissidentes têm enfrentado tentativas de retaliação por parte dos diretórios estaduais do partido. 

No caso dos senadores que votaram contra Trump, só Romney ficou livre de censura ou punição por parte da direção local. A movimentação dos partidos localmente contra os desertores mostra que a influência de Trump chega aos Estados.

No final de seu mandato, Trump ameaçou criar uma nova legenda, o Partido Patriota, que racharia de vez o conservadorismo americano. Mas, se depender do apoio dos eleitores republicanos, o ex-presidente não precisará de outro partido para continuar na política. 

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