Aliados dos americanos precisam de garantias contra Teerã

EUA precisam agir agora e firmar tratados de defesa para proteger Israel e Estados árabes de um eventual ataque iraniano

Steven L. Spiegel* - O Estado de S. Paulo,

25 de novembro de 2013 | 23h17

O acordo provisório com o Irã poderá representar um grande avanço nas conversações que continuarão nos próximos seis meses. De qualquer modo, os EUA precisam resolver uma questão crucial para seu sucesso: aplacar as preocupações de Israel e Arábia Saudita de que o Irã viole o acordo final.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, já havia rejeitado o esboço inicial, qualificando-o de "erro histórico". Os sauditas, maiores rivais de Israel na região, também não acreditam que o Irã cumprirá as promessas que fez. Assim, o tempo é curto para os EUA dirimirem essas apreensões e não deixarem ainda mais desgastadas suas relações com seus mais próximos aliados no Oriente Médio.

Uma estratégia que poderia ser adotada para tranquilizá-los seria os EUA firmarem com Israel e Estados árabes tratados garantindo que um ataque iraniano a qualquer um deles será considerado um ataque contra os EUA - ação semelhante à de John Kennedy, em 1962, quando advertiu os soviéticos para que não lançassem nenhum míssil de Cuba contra países da região.

Até certo ponto, as garantias americanas, especialmente para israelenses e sauditas, são implícitas. No entanto, novas promessas fariam enorme diferença. Os iranianos não devem se iludir achando que não haverá consequências se atacarem seus vizinhos. Como israelenses e árabes têm preocupações distintas, o compromisso americano deverá assumir formas diferentes.

Os governos árabes podem desejar evitar acusações de que entraram demais na órbita americana e optarem por outra coisa que não um tratado de defesa pleno. Talvez uma declaração garantindo sua segurança e um anúncio de que Washington ampliou o seu raio de proteção. Os israelenses temem que qualquer acordo com o Irã limite suas opções para responder sozinho às provocações dos vizinhos. E cláusulas devem ser incorporadas ao tratado garantindo que o país não ficará de mãos atadas caso entenda que não precisa de ajuda dos EUA.

A crítica óbvia a esses pactos é que os EUA correm o risco de se envolverem em mais uma guerra, mas o resultado mais provável é o oposto: uma apólice de seguro contra a guerra, como o acordo de defesa mútua da Otan foi crucial para deter um ataque soviético contra a Europa Ocidental.

Se os aliados dos americanos entenderem esses benefícios, o desafio dos EUA será convencer Teerã de que esses pactos não ameaçam sua segurança. Mesmo que Israel e Arábia Saudita desconfiem do Irã, é preciso pensar em medidas que sejam adotadas caso as negociações sejam bem-sucedidas. Os EUA precisam oferecer aos aliados uma rede de proteção mais segura.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

STEVEN L. SPIEGEL É PROFESSOR DO CENTER FOR MIDDLE EAST DEVELOPMENT DA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA

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