REUTERS/Francois Lenoir
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Aliados dos EUA na Otan devem aumentar gasto militar em 4,3% em 2017

De acordo com o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, novos recursos financeiros - estimados em US$ 12 bilhões - serão usados em novas equipes, mais exercícios, salários e pensões, em missões e na luta contra o Estado Islâmico

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2017 | 09h37

BRUXELAS - Os aliados dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) elevarão em 4,3% o gasto militar em 2017, antecipou nesta quarta-feira, 28, o secretário-geral da Aliança, Jens Stoltenberg, um mês depois das críticas do presidente americano, Donald Trump.

"Após anos de declive, em 2015 vimos um verdadeiro aumento na despesa dos aliados europeus e do Canadá. Em 2016 isto continuou. E este ano, em 2017, prevemos ainda um maior aumento anual real, de 4,3%, ou seja, o terceiro ano consecutivo de aumento do investimento militar nos países da Aliança", afirmou Stoltenberg no quartel-general da Otan em Bruxelas, na véspera de uma reunião dos ministros da Defesa.

Os novos recursos financeiros serão usados em "novas equipes, mais exercícios, salários e pensões", bem como em missões como as do Afeganistão e do Kosovo e na luta contra a organização terrorista Estado Islâmico.

O aumento do gasto militar de seus aliados é uma das reclamações tradicionais de Washington na Otan. Em 2014, o então presidente Barack Obama conseguiu que os membros da Aliança se comprometessem a aproximar o gasto militar nacional a 2% do PIB no prazo de uma década.

Ao lado dos EUA, apenas Grécia, Estônia, Reino Unido e Polônia cumprem a meta. Outros países desejam que outros critérios sejam levados em consideração na análise.

Em uma reunião de cúpula em Bruxelas no fim de maio, Donald Trump insistiu na pressão e afirmou que "23 das (então) 28 nações membros ainda não pagam o que deveriam" e acusou alguns aliados de dever "enormes quantias de dinheiro".

"Celebramos o fato de que o presidente Trump se concentre nos gastos em defesa e em uma melhor distribuição da carga, já que devemos colocar em prática aquilo que acordamos", destacou Stoltenberg, para quem os aliados devem gastar mais "não apenas para atender os Estados Unidos, mas também por seu próprio interesse".

Conforme explicou Stoltenberg, o aumento previsto para 2017 será de aproximadamente US$ 12 bilhões, enquanto que nos últimos três anos os aliados europeus e o Canadá "gastaram quase US$ 46 bilhões a mais em Defesa".

Os ministros da Defesa devem abordar a questão em uma reunião na quinta-feira, após a incorporação no início do mês de Montenegro como membro da Otan.  / AFP e EFE

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