Aliados lançam candidatura de Cristina

Enquanto milhares acompanham enterro de Kirchner, chanceler argentino anuncia à CNN que a presidente tentará reeleição em 2011

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

A persistente chuva não impediu ontem que milhares de pessoas dessem o último adeus ao ex-presidente Néstor Kirchner nas ruas da Buenos Aires, até o momento em que o caixão foi levado da Casa Rosada para o avião que o trasladou para Río Gallegos, no extremo sul do país. Ali, numa cerimônia apenas para a família e alguns amigos muito próximos - como o presidente venezuelano, Hugo Chávez -, Kirchner seria enterrado no começo da noite.

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Antes, porém, enquanto o corpo do ex-presidente ainda era velado na Casa Rosada, o chanceler Héctor Timerman interrompeu o clima de trégua política e deu a largada à corrida presidencial que se estenderá até outubro de 2011. Enquanto a presidente Cristina Kirchner acariciava o caixão do marido, Timerman afirmou à rede de TV CNN que ela se candidatará à reeleição daqui a 12 meses. "Cristina será a candidata dos argentinos e será vencedora das eleições. Não tenho dúvidas."

Até a morte de Kirchner, o ex-presidente era o virtual candidato do governo para as eleições presidenciais. Ontem de manhã o secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, destacou que a "colossal presença da multidão" nas ruas para o funeral consistia em um firte sinal de "respaldo" ao governo da presidente Cristina.

Militantes kirchneristas também interromperam o clima de velório para pichar as paredes da prefeitura portenha, comandada por Mauricio Macri, velho opositor dos Kirchners. Os militantes escreveram a frase "Macri, nem tente isso", sugerindo que desista de suas ambições presidenciais no ano que vem. Ao lado, aparecia outra pichação: "CFK (sigla de Cristina Fernández de Kirchner) 2011."

A Rádio Continental, que possui vários programas com jornalistas críticos do governo Kirchner também foram pichados com os dizeres "golpistas" e "gorilas" - como os partidários do governo costumam se referir aos anti-peronistas.

Analistas consideram "imprevisível" a sucessão presidencial no país após a morte de Kirchner, que sofreu um fulminante enfarte na quarta-feira.

De acordo com o cientista político argentino e diretor do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, Rosendo Fraga, mesmo com problemas de saúde, Kirchner não estava disposto a ceder no objetivo de ser candidato a presidente no ano que vem.

"A questão agora é saber se Cristina terá a mesma capacidade de manter alinhado o PJ, partido que dá sinais de independência dos dissidentes", afirma.

O relatório do banco de investimentos Goldman Sachs diz que a morte de Kirchner causa uma incerteza significativa no país. "Agora é mais provável que a presidente Cristina Kirchner tente a reeleição, mas sem a valiosa contribuição nem a esteira política de um experimentado estrategista, e a hipótese de uma reforma do ministério nos próximos meses não pode ser descartada", dizem os analistas do banco.

"O cenário não é muito favorável a Cristina. Há uma mobilização de tendências dentro do próprio partido do governo, mas é difícil construir um cenário com precisão", explica o professor Paulo Edgar Almeida Resende, coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da PUC São Paulo. Para o cientista político Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a oposição, porém, não tem capacidade de mostrar um nome forte para a sucessão, o que favorece Cristina. / COLABORARAM MARINA GUIMARÃES, LUIZ RAATZ E JOÃO COSCELLI

 

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