Aliados usam duras palavras contra Saddam, mas mantêm cautela

Nações ocidentais reservaram palavras duras hoje para o líder iraquiano Saddam Hussein, mas houvepoucos indícios de que eles foram persuadidos pelos Estados Unidos a apoiar uma ação militar para derrubá-lo.A Espanha e a Holanda uniram-se a ansiosos aliados na denúncia ao líder iraquiano no que parece ser um esforço para pressionar o Iraque a permitir o retorno dos inspetores de armas da ONU.Apesar de não aceitar os argumentos do presidente dos EUA, George W. Bush, para justificar uma ação militar, o presidente francês apresentou um plano que inclui um eventual uso da força militar.Em suas primeiras declarações sobre a questão, o Vaticano afirmou que só poderia haver uma ação militar contra o Iraque com a autorização das Nações Unidas.Apenas a Grã-Bretanha apoia a visão de Bush de que Saddam tem de ser afastado à força para acabar com qualquer risco de ele poder desenvolver armas de destruição em massa.Inspetores da ONU tentando determinar se o Iraque possui armas biológicas, químicas ou nucleares deixaram Bagdá em 1998 e não mais receberam autorização de voltar.A Itália tem dito que seu espaço aéreo estaria aberto para qualquer ataque liderado pelos EUA contra o Iraque. A Rússia se opõe ao uso da força e a Alemanha tem rejeitado categoricamente a opção militar.Com cautela e sob muitas condições, o presidente francês, Jacques Chirac, desenhou um cenário de duas fases que poderia abrir caminho para o uso da força.Numa entrevista a The New York Times, Chirac sugeriu a aprovação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU dando ao Iraque um prazo de três semanas para permitir a volta dosinspetores de armas. Se ele recusar, uma segunda resolução sobre o uso de força militar seria aprovada, disse Chirac.Ele recusou-se cautelosamente a adiantar se a França ? um membro permanente do Conselho de Segurança - participaria de uma ação militar aprovada pela ONU.Mas o plano do presidente conservador parece ser o mais próximo apresentado até agora por ele de admitir o eventual uso da força. A nuança não passou despercebida à oposição socialistafrancesa, que imediatamente pediu um esclarecimento da posição de Chirac.Chirac afirmou que outros países querem "prova irrefutável" da existência de armas de destruição em massa e advertiu que a intervenção militar sem o apoio internacional estabeleceria um precedente potencialmente desastroso."Assim que uma nação se conceder o direito de tomar ação preventiva, outros países naturalmente farão o mesmo", opinou o presidente francês. "Se vamos por esse caminho, onde vamos parar?"Enquanto isso, o chanceler do Vaticano, arcebispo Jean-Louis Tauran, advertiu sobre as conseqüências que uma guerra poderia ter para o povo iraquiano e para a estabilidade da região."Não podemos combater o mal com o mal", teria dito Tauran ao jornal católico italiano L´Avvenire, em entrevista publicada hoje."Caso a comunidade internacional conclua que o uso da força é oportuno e justificado, isso deveria ocorrer com uma decisão tomada no âmbito das Nações Unidas", considerou o arcebispo.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também disse que o Conselho de Segurança "deveria ter algo a dizer sobre a questão".O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, afirmou hoje que um ataque ao Iraque "abriria as portas do inferno" no Oriente Médio. Ele exortou Washington a dar uma chance aos inspetores,considerando que existe "uma forte possibilidade" de o Iraque permitir que eles voltem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.