Aliança antichavista evita participar de protestos

Manifestações de sábado, segundo a MUD, não serão da coalizão opositora, mas de grupos ligados a ela

CARACAS, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2015 | 02h03

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão opositora venezuelana, anunciou ontem que não participará dos protestos convocados por Leopoldo López, líder do partido Voluntad Popular (VP), preso desde o ano passado. As manifestações estão marcadas para sábado. "As circunstâncias impediram que as manifestações de sábado contassem com a necessária participação de todos os setores da MUD em seu projeto, formulação e convocatória", disse a aliança em comunicado.

O texto fala ainda em "pressão para uma data definida de maneira unilateral pelos autores da iniciativa", em referência aos opositores que convocaram a marcha, o que indica uma divisão entre as forças antichavistas. Segundo a MUD, os protestos de sábado não seriam, portanto, uma atividade da aliança, mas de vários segmentos que formam parte dela.

Ontem, o governador de Miranda e ex-candidato à presidência Henrique Capriles afirmou não saber se participará da marcha. "Não tenho os detalhes, mas espero tê-los nas próximas horas, porque isso foi algo que fiquei sabendo por meio do próprio vídeo gravado pelo Leopoldo", afirmou.

Além de não confirmar a participação no ato, Capriles mostrou desconforto com o fato de a manifestação ter sido convocada sem que outros membros da MUD fossem consultados. "Se tem algo que prejudica a oposição é cada um ter uma agenda própria, não entendendo o conceito de unidade", disse.

A mulher de López, Lilian Tintori, afirmou ontem que o ex-presidente Andrés Pastrana, da Colômbia, e Jorge Quiroga, da Bolívia, prometeram participar da marcha de sábado. Pastrana e Quiroga, ainda segundo Lilian, tentarão visitar López na prisão na sexta-feira. A mulher do político disse que cederá sua visita regular para que os dois possam entrar e conversar com o líder opositor em greve de fome.

Lilian pediu também ao defensor público venezuelano Tarek William Saab que trabalhe como "mediador" para que a visita seja possível. "Teremos (na manifestação de sábado) observadores internacionais, visitas de presidentes ibero-americanos e de líderes democratas do mundo todo. Eles têm muito a dizer", afirmou.

Conspiração. A imprensa pró-governo na Venezuela divulgou na noite da segunda-feira o áudio de uma suposta conversa entre López e o ex-prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos, que também está preso. No diálogo, os dois planejariam detalhes da manifestação de sábado.

Segundo o governo, os planos incluiriam a instalação de barreiras nas ruas e ações violentas. Na conversa divulgada pela emissora Venezolana de Televisión (VTV), vozes identificadas como dos políticos dizem que acampamentos diante das sedes de organismo internacionais, como a ONU, devem ser montados em Caracas. De acordo com o diálogo atribuído a López e Ceballos, as ações "terão impacto sobre o Conselho Nacional Eleitoral (CNE)", responsável pelas eleições no país.

Miguel Pérez Pirela, apresentador do programa Cayendo y Corriendo, no qual o áudio foi divulgado, sugeriu durante a transmissão que, pela voz alterada, os dois opositores estariam "sob efeito de eventuais substâncias", mas não deu detalhes sobre quais seriam.

Na gravação, também são estabelecidas "metas de 5, 10 e 15 dias" para os manifestantes que, segundo Pirela, seriam o "prazo biológico" das greves de fome iniciadas pelos dois líderes opositores no último fim de semana. "(A gravação) é de gente que ama a violência. É uma gravação dura, que vai fazer com que caia a máscara de mais de uma pessoa", disse o apresentador chavista.

Não está claro quando foi feita a gravação de cerca de dois minutos. Até o fim de semana, López e Ceballos estavam presos na prisão militar de Ramo Verde, mas Ceballos foi transferido para outra cadeia após os dois anunciarem o início de uma greve de fome. / AP e EFE

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