Aliança com guerrilha fortalece ELN

Grupos que eram inimigos passam a atuar em conjunto, complementando ações e dividindo territórios

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

Além do crescimento de ações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), outro grupo guerrilheiro que ganhou força recentemente é o Exército de Libertação Nacional (ELN). Segundo levantamento feito pela InSight, consultoria que monitora o crime organizado na América Latina, o envolvimento do ELN com o narcotráfico e uma aliança com as Farc contribuíram para o fortalecimento do grupo.

Em meados dos anos 90, o ELN atingiu seu pico de força, com cerca de 8 mil integrantes, mas no fim da década, depois de uma queda abrupta no número de combatentes, o grupo perdeu parte de sua relevância no conflito armado colombiano. Dados oficiais do governo do presidente Juan Manuel Santos estimam em 2 mil o número de membros do grupo rebelde hoje - há cinco anos, eram cerca de 1.500.

"Desde que Alfonso Cano assumiu o comando das Farc parece haver um desejo genuíno por parte da guerrilha em trabalhar mais de perto com o ELN", afirmou Jeremy McDermott, codiretor da InSight. Os dois grupos, que antes eram inimigos, parecem agora estar se complementando, além de terem feito uma divisão clara da área de atuação de cada um deles, explicou McDermott.

"Enquanto as Farc são melhores em montar estratégias militares, o ELN tem uma capacidade maior de se infiltrar na política e construir redes de colaboração tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas."

Recrutamento. De acordo com McDermott, a reestruturação das Farc planejada por Cano também deu prioridade para aumentar a infiltração da guerrilha em áreas urbanas. "Um dos indícios disso é o fato de que, hoje, a guerrilha está recrutando nas cidades, especialmente em universidades", disse o especialista. "Nas universidades, eles buscam principalmente jovens inteligentes e comprometidos com a ideologia defendida pela guerrilha." / R. M.

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