Aliança dá novo ultimato à Al-Qaida: amanhã cedo

Comandantes tribais afegãos deram, nesta quarta-feira, um novo ultimato aos combatentes da Al-Qaida encurralados em Tora Bora, em meio a suspeitas de que eles estejam querendo ganhar tempo para permitir a fuga de seus principais líderes, entre eles talvez Osama bin Laden.Os combatentes, a maioria árabes e outros não afegãos, tinham concordado em se render às 8 horas desta quarta. Mas o prazo expirou e nenhum emergiu da desolada garganta para onde fugiram depois de terem sido expulsos de posições nas montanhas e cavernas no dia anterior.Ghafar, um integrante do conselho executivo da aliança oriental, disse que detalhes das negociações de como a rendição ocorreria revelaram que apenas tropas de baixo escalão da Al-Qaida planejavam entregar suas armas. Nenhum alto líder incluído na lista dos mais procurados pelos Estados Unidos seria entregue. A aliança rejeitou a oferta, afirmou."Entre eles estão algumas das 22 pessoas da lista negra. Eles têm de entregá-los, mas não querem", disse Ghafar. "Eles têm de entregar pelo menos algumas dessas pessoas."Ghafar afirmou que a aliança suspeita de que as negociações para a rendição visam apenas dar tempo a destacados líderes para fugir em pequenos grupos para áreas tribais no Afeganistão, ou para o vizinho Paquistão, que enviou milhares de soldados para bloquear rotas de fuga. Ele disse não saber ao certo o paradeiro de Bin Laden, nem quantos combatentes da Al-Qaida ainda estão nas montanhas.Oficiais dos EUA e líderes tribais afegãos suspeitam que Bin Laden possa estar na região de Tora Bora. Outros acreditam que ele esteja escondido no sul do país. Tora Bora - uma extensa rede de cavernas e túneis nas Montanhas Brancas nas proximidades da fronteira com o Paquistão - é o último "efetivo" bastião da Al-Qaida, disse o general Richard B. Myers, comandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA.Ghafar afirmou que os homens da Al-Qaida podem ter aproveitado o recuo de seus combatentes nas montanhas, já que o forte frio dificulta a retomada das posições.Ghafar disse que, mesmo que ocorra a rendição, outros combatentes da Al-Qaida podem continuar escondidos na área. "Ninguém sabe quantos lutadores estão lá em cima, mas não acredito que sejam muitos. A área é muito grande. A floresta é muito densa, e é muito difícil promover buscas".Pouco antes de expirar nesta quarta o prazo para a rendição, um B-52 americano sobrevoou a região de 20 a 30 quilômetros quadrados e logo deu início a bombardeios.Uns 60 soldados das forças especiais dos EUA estavam na linha de frente na manhã desta quarta, usando tradicionais bonés e mantas afegãs, mas carregando armas americanas e grandes mochilas, diferenciando-os dos combatentes da aliança oriental."Eles estão lá apenas para observar, para contatar os aviões, não para combater", disse Ghafar.Ao anoitecer desta quarta, um emissário do chefe da defesa da aliança, Mohammed Zaman, reuniu-se com um líder religioso árabe para discutir uma nova tentativa de organizar uma rendição na manhã desta quinta. Ghafar afirmou que os combatentes da Al-Qaida têm até o fim da manhã desta quinta-feira para se entregar, ou serão atacados. Ghafar informou que o conselho governista da aliança oriental estava insatisfeito com a decisão unilateral de Zaman de declarar um cessar-fogo na terça-feira, mas que ele teria mais 24 horas para negociar uma completa rendição.Atiaulluh Racham, um assessor de Zahir, disse que um ataque estava sendo preparado para esta quinta, especialmente depois de o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, ter afirmado que não estava interessado em negociar com a Al-Qaida."Rumsfeld disse que não quer a rendição da Al-Qaida. Então nós temos de matá-los", afirmou Racham. "Não aceitamos essas conversações... Eles querem ganhar tempo para se salvar".Entretanto, os homens de Zaman acusaram os Estados Unidos de arruinar o acordo de rendição ao enviar bombardeiros para atacar a Al-Qaida na madrugada desta quinta, depois que eles haviam concordado em se entregar."Eles iam se render e estavam felizes em se render", afirmou Amin Jan, um lugar-tenente de Zaman. "Se alguém chega a um acordo para parar a guerra e cessar-fogo, não é um bom comportamento matá-lo ou incomodá-lo... Os Estados Unidos só querem matá-los, e eu sou agora responsável pela tarefa de eliminá-los".A agência Islâmica Afegã de Imprensa, baseada no Paquistão, informou que o mais importante clérigo islâmico da província de Nangarhar (onde fica Tora Bora), o mulá Fazil Hadi Shenwari, pediu à aliança para não matar os árabes nem entregá-los aos EUA.O mulá disse que eles participaram da jihad (guerra santa contra as forças soviéticas) e que o único criminoso é Bin Laden. Shenwari insistiu que, se os árabes concordarem em entregar as armas, devem ser tratados com justiça e não entregues a Washington ou a "outros infiéis".Leia o especial

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