Aliança de Governo decide adiar eleições no Nepal

Partidos não chegaram a uma acordo sobre o sistema a ser utilizado no pleito

Efe,

05 de outubro de 2007 | 02h10

Os partidos que integram a aliança do Governo de Nepal concordaram em adiar as eleições previstas para o dia 22 de novembro diante da falta de um consenso sobre o sistema a ser utilizado no pleito, informou uma fonte oficial. O gabinete deve transferir esta decisão nas próximas horas para a Comissão Eleitoral, disse à Efe um dos líderes do governante Partido do Congresso Nepalês, Shekhar Koirala. A decisão de atrasar o pleito até uma nova data, que ainda não foi fixada, acontece após vários dias de reuniões entre os partidos no governo, entre eles os maoístas - cujo apoio é fundamental para a realização do pleito -, sobre o sistema eleitoral. A ex-guerrilha maoísta pede que o atual sistema misto, que mistura a eleição direta com a proporcional, seja substituída por um sistema integralmente proporcional. Também reivindica que o Nepal seja declarado uma República através de uma votação parlamentar antes das eleições, apesar de que estas sejam precisamente destinadas a designar uma Assembléia Constituinte que decida o futuro sistema político do país. É a segunda vez que o Nepal adia suas eleições. A princípio estavam previstas para junho, mas a Comissão Eleitoral se viu obrigada a adiá-las por falta de tempo para organizar a votação. O país está em pleno processo de transição desde que, em abril do ano passado, uma revolta popular em Katmandu obrigou o rei Gyanendra a renunciar de seus poderes absolutos e abriu o caminho da negociação entre o governo e a guerrilha maoísta. As conversas culminaram em um acordo de paz assinado em novembro de 2006, que colocou fim a uma guerra de dez anos e permitiu que os maoístas entrassem no Executivo. No entanto, os ex-guerrilheiros abandonaram o gabinete na semana passada como medida de pressão depois que o primeiro-ministro, Girija Prasad Koirala, se negou a dar o sinal verde a suas demandas de proclamação da República e um sistema eleitoral proporcional. Desde então, os líderes políticos mantiveram negociações para tentar aproximar posturas, mas nem o Partido do Congresso Nepalês, o majoritário na coalizão, nem os maoístas aceitaram as propostas realizadas pela parte contrária.

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