Aliança do Norte também teve laços com extremistas

Centenas de combatentes árabes supostamente vinculados a Osama bin Laden receberam a cidadania afegã do governo anterior do país, cujos líderes estão recebendo agora a ajuda dos EUA para combater o regime do Taleban, segundo documentos que a milícia islâmica atualmente no poder mostrou à Associated Press. Os documentos - escritos em língua dari, usada no Afeganistão - mostram que 604 pessoas procedentes de países como Argélia, Líbia, Arábia Saudita e Egito tornaram-se cidadãos do Afeganistão em 1993, durante o governo do então presidente Burhanuddin Rabbani. Rabbani, que foi derrubado pelo Taleban em 1996, agora encabeça a Aliança do Norte, em guerra contra o Taleban. Os EUA estão bombardeando posições do Taleban na esperança de que a Aliança possa se apoderar de Mazar-i-Sharif e outras cidades grandes afegãs. Os documentos exibidos não incluem o nome de nenhuma figura conhecida da rede terrorista Al-Qaeda, vinculada aos ataques de 11 de setembro nos EUA. No entanto, esses documentos comprovam as denúncias de críticos da aliança opositora, de que algumas de suas principais figuras tiveram estreitos vínculos com extremistas islâmicos desde a guerra de 1979 a 1989, contra os invasores soviéticos. O núcleo da Al-Qaeda de Bin Laden é formado por militantes árabes, alguns dos quais chegaram ao Afeganistão para lutar contra os soviéticos. Outros não podiam regressar a seus países de origem devido às ações subversivas ali praticadas. Junto com a cidadania, o governo de Rabbani concedeu a esses combatentes - conhecidos como árabes afegãos - residência permanente no Afeganistão. O próprio Bin Laden foi para o Afeganistão em 1996, alguns meses antes que o governo de Rabbani fosse derrubado em Cabul, mas não se sabe se ele obteve cidadania afegã. Bin Laden chegou ao Afeganistão procedente do Sudão, depois que as pressões americanas forçaram que o governo sudanês a pedir-lhe que deixasse o país.Os EUA começaram a diminuir seu apoio à aliança anti-soviética, incluindo aos voluntários árabes afegãos, depois que os soviéticos retiraram suas tropas em 1989. Acredita-se que, uma vez no Afeganistão, Bin Laden tenha pedido aos veteranos árabes da guerra contra os soviéticos que continuassem sua luta como membros da Al-Qaeda. Os críticos temem que os EUA e seus aliados terminem tratando com um novo grupo de líderes afegãos que tenham seus próprios vínculos com a Al-Qaeda, se chegarem a tomar o poder. Durante o fim de semana, Abdurahman Hottak, diretor do departamento consular do Taleban, mostrou à AP os documentos dos 604 árabes que se tornaram afegãos no governo de Rabbani. Ele permitiu que o pessoal da AP examinasse os documentos e tomasse notas. O exame mostrou que a concessão da cidadania partiu do ministro do Interior de Rabbani, Ahmed Shan Ahmedzai, em novembro de 1992. Ahmedzai era membro de uma facção do governo de coalizão de Rabbani liderada por Abdur Rasool Sayyaf, atualmente vice-primeiro-ministro de Rabbani em seu governo no exílio, também conhecido como o governo da Aliança do Norte. Sayyaf era então chefe do grupo Ittehad-e-Islami, que tinha em suas fileiras o maior número de combatentes árabes. Leia o especial

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