Alinhados ao governo, canais estrangeiros são poupados

Lei afetaria a Telefé, TV controlada por espanhóis, e o Canal Nueve, que pertence a mexicano, mas Cristina 'blindou' ambos

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h03

Segundo a presidente Cristina Kirchner, a Lei de Mídia, além de reduzir o poder dos grandes grupos de comunicação, busca melhorar o conteúdo da programação e privilegiar os capitais argentinos no setor. Nas palavras da presidente, é a política do "Nac e Pop" - abreviações de nacional e popular.

No entanto, apesar do discurso nacionalista, Cristina está fazendo vista grossa para dois canais com alta audiência de propriedade estrangeira - ambos alinhados com a Casa Rosada. A Telefé, pertencente à empresa Telefônica, da Espanha, e o Nueve, de propriedade de um empresário mexicano.

A Lei de Mídia impede que um estrangeiro tenha mais de 30% de um meio de comunicação. Se a lei fosse seguida à risca, ficariam proibidos os canais Telefé e Nueve. Entretanto, ambos ficaram de fora das críticas da presidente e de seus ministros. Os canais fazem uma cobertura favorável ao governo de Cristina e omitem notícias inconvenientes à Casa Rosada.

Ao longo das últimas duas semanas, surgiram críticas da oposição e de empresários argentinos sobre os favores feitos pelo governo de Cristina aos estrangeiros. Contudo, Martín Sabbatella, presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (AFSCA), entidade encarregada da aplicação da Lei de Mídia, defendeu os empresários estrangeiros, alegando que eles são "legalmente argentinos".

Sabbatella admitiu que existe uma exceção para a americana Directv, TV por satélite, contemplada por um acordo anterior de investimentos recíprocos entre Argentina e EUA.

No caso do canal Telefé, o de maior audiência do país, também existe uma condição de privilégio. "Está dentro da lei de bens culturais", explicou Sabbatella sobre o canal, que, entre seus colunistas semanais, conta com um ex-ministro do governo de Cristina, o atual senador Aníbal Fernández. Segundo ele, a Telefé e a Telefônica são empresas diferentes, embora o presidente da empresa de telefonia espanhola integre a diretoria do canal de TV.

No caso do Canal Nueve, o empresário mexicano Ángel Remigio González-González conseguiu a licença da empresa por meio de uma companhia com base nos EUA. Sua emissora transmite programas cujos apresentadores disparam fortes acusações contra a oposição e a mídia crítica aos Kirchners.

A Telefé ocupa o primeiro lugar de audiência, seguido de perto pelo Canal Trece, pertencente ao Grupo Clarín, crítico do governo. O Nueve disputa o terceiro posto de audiência com o América 2, canal argentino que também está alinhado com a presidente Cristina. / A.P.

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