''''Aliviado'''', filho teme pela saúde de Ingrid

Família apela pela intermediação de Chávez, Estados Unidos e Brasil

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

A esperada prova de vida da ex-candidata à presidência da Colômbia, a militante de origem francesa Ingrid Betancourt, era aguardada pelos parentes da refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na França desde agosto de 2003.Em Paris, as imagens emocionaram os familiares. "Meu pai me ligou às 7h e disse: ?Lorenzo, sua mãe está vida. Há um vídeo com as imagens dela?. Não conseguia acreditar no enorme alívio que senti", contou ao Estado Lorenzo Betancourt-Delloye, 19 anos, seu filho mais novo. Mas, minutos depois, ao ver as imagens na internet, o jovem se abateu. "Minha mãe está triste, mal, magra, envelhecida. Tudo isso tem um nome: urgência."Nos 52 segundos em que aparece, Ingrid, seqüestrada há cinco anos, não fala e não se move, permanecendo sentada numa cadeira na frente de uma mesa artesanais, em meio à selva. Cabisbaixa, com expressão abatida, ela está magérrima e com cabelos longos.No vídeo, não há registro de data, mas outras quatro gravações também apreendidas levaram o Exército colombiano a concluir que todos foram gravados em 23 e 24 de outubro.Ao longo da manhã, membros da família, em Paris e Bogotá, pediram o reforço das pressões por parte da França, dos Estados Unidos e até do Brasil e atribuíram a divulgação do vídeo à intermediação do presidente venezuelano, Hugo Chávez.Há 10 dias, num encontro em Paris com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, Chávez afirmara que uma prova de vida dos reféns seria divulgada "até o fim do ano". No entender dos parentes, as Farc tinham dado um passo rumo ao acordo humanitário. Caberia ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconciliar-se com Chávez, a quem destituiu da função de mediador na semana passada."Chávez mostra-se essencial nas negociações para um acordo humanitário", disse Lorenzo, repetindo o discurso de seu pai, Fabrice Delloye, e de sua tia, Astrid. Responsável pelo ingresso do venezuelano nas negociações, Sarkozy disse-se "encorajado", enquanto seu ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, garantiu que as "autoridades francesas continuarão mobilizadas".Fontes diplomáticas informaram ao Estado que o governo manterá a pressão para que Uribe se reconcilie com Chávez, mesmo que a relação do venezuelano com a divulgação dos vídeos ainda não esteja clara. "É uma boa questão para a qual ainda não temos resposta", disse o diplomata.Alheio aos múltiplos apelos, Uribe preferiu pedir a intermediação da França nas negociações de um acordo humanitário com as Farc. "Quero reiterar nossa disposição de buscar com o governo da França e a comunidade internacional mecanismos para a libertação dos reféns que sejam eficazes e não dêem respaldo político ao terror", disse o presidente colombiano.

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