AP Photo/Jacquelyn Martin, File
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Almagro diz que condenação a Leopoldo López marca fim da democracia na Venezuela

Secretário-geral da Organização dos Estados Americanos qualificou de ‘regime’ o governo venezuelano e de ‘tirania’ a situação que impera no país

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2016 | 10h14

WASHINGTON - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse na segunda-feira que a ratificação da condenação contra o opositor venezuelano Leopoldo López foi o "marco" do final da democracia e do Estado de Direito no país.

"Nenhum foro regional, ou sub-regional, pode desconhecer a realidade de que, hoje, na Venezuela, não há democracia ou Estado de Direito", escreveu Almagro em uma carta aberta a López, a quem chamou de "amigo".

O secretário-geral qualificou de "regime" o governo venezuelano e de “tirania” a situação que impera no país. Em mensagem dirigida a López, cuja condenação a 14 anos de prisão foi ratificada pela Justiça recentemente, Almagro disse:"Ultrapassou-se um nível que significa que é o fim da democracia. A comunidade internacional é clara ao pedir não mais tirania no céu. Um céu que já não existe".

"Às vezes analiso o tema e estou convencido (de) que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e condenar um governo (neste momento com características de regime) que se desqualificou a si próprio", disse o político uruguaio na carta de oito páginas.

Segundo ele, o governo de Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional do povo de retirar seu presidente".

O secretário-geral da OEA disse também que na Venezuela "impera" a "intimidação política" e citou os casos de Antonio Ledezma, Daniel Ceballos, a deputada cassada María Corina Machado e o deputado Julio Borges, que foi agredido em junho por partidários de Maduro, como exemplo.

"Aqueles que sofrem com as ditaduras sabem que tentar eliminar opositores ou vozes dissidentes é um verdadeiro reflexo da ignorância dos tiranos", afirmou Almagro, lembrando da ditadura uruguaia que se estendeu entre 1973 e 1985.

Veja abaixo: Caos na Venezuela

Almagro se dirigiu diretamente a López e afirmou: "Devo confessar que neste tempo eu me senti perto da injustiça que você sofre, me senti perto do sofrimento do povo venezuelano".

Desde que chegou à Secretaria-Geral da OEA, em maio de 2015, Almagro tem criticado o governo de Maduro e a crise venezuelana, com seguidos pronunciamentos e denúncias sobre a situação política do país. Em maio, ativou a Carta Democrática para a Venezuela, um mecanismo sem precedentes que poderia levar à suspensão do país da organização. Maduro, por sua vez, acusa Almagro de tentar uma "intervenção" estrangeira no país. / AFP e EFE

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