REUTERS/Adriano Machado
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Aloysio assume Itamaraty com cautela em relação a Trump

Novo chanceler diz que sua gestão apostará em fortalecimento do caráter comercial do Mercosul e em acordos com África e União Europeia

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2017 | 20h11

O novo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, adotou um tom cauteloso sobre as eventuais medidas que o presidente americano, Donald Trump, pode tomar em relação ao Brasil. O ministro disse que pretende agir de maneira similar à do papa Francisco, que preferiu esperar para avaliar os primeiros meses de Trump no cargo.

"Fico mais com o Papa Francisco: 'Speriamo'",afirmou o chanceler, usando o verbo em italiano. Em janeiro, o Papa pediu prudência nos comentários contrários a Trump, sob o argumento de que era preciso esperar o que vai acontecer.

 Aloysio sempre foi crítico à política protecionista adotada por Trump e chegou a dizer, quando era líder do governo Temer no Senado, que o mundo ia "ficar pior" com a eleição dele.

Após sua cerimônia de posse no Palácio do Planalto nesta terça-feira, 7, o tucano, que substituiu o ex-chanceler José Serra (PSDB-SP) adotou tom mais moderado. "O fato é que nós temos com os Estados Unidos uma relação que não é preciso enfatizar sua importância. Temos relação no plano de investimentos, interesse em trocas comerciais, intercâmbio tecnológico e na área de defesa, por exemplo", disse. "Há um cardápio de medidas que precisam ser concretizadas e estamos nos EUA representados por um craque da diplomacia, que é o embaixador Sérgio Amaral."

Depois de dizer, na semana passada, que queria dar "vida nova" ao Mercosul, o novo titular do Itamaraty afirmou que há muitas barreiras "entravando" o comércio no bloco. "É preciso aproveitar que temos hoje uma convergência muito grande de pensamento, em relação a práticas econômicas, para que a gente possa resgatar a vocação original do Mercosul, que é ser uma zona realmente de livre comércio", argumentou Aloysio. "É hora de fazer acordos bloco a bloco".

Outra prioridade, na avaliação do chanceler, é o acordo com a União Européia. "Isso está na ordem do dia e vai colocar nossa relação com a Europa num patamar mais alto", insistiu o ministro, que também quer incrementar as parcerias do Brasil com a África.

"A África está crescendo mais do que a América Latina, é um continente em transformação e precisamos ter ali um tipo de relação que fuja um pouco dos moldes tradicionais da cooperação", disse Aloysio. "O que precisamos é de parceria, de negócios, de investimento", emendou ele, ao lembrar que pretende fazer uma viagem à África ainda nesse semestre." 

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