Alta abstenção deve marcar eleições na Bósnia-Herzegóvina

Os observadores eleitorais acreditam que apenas um em cada três eleitores irá às urnas nas eleições gerais da Bósnia-Herzegóvina neste sábado, apesar da campanha cheia de promessas e dos apelos internacionais. É a sexta eleição desde a guerra no país entre 1992 e 1995, mas a primeira organizada pelas autoridades locais e não por diplomatas estrangeiros - embora o Ocidente as considere um ponto crucial para as mudanças rumo à democracia.O secretário de Estado americano, Colin Powell, chegou a gravar uma mensagem para ser transmitida pela televisão, na qual diz que "um voto pela reforma colocará a Bósnia rapidamente no caminho para a democracia, o livre mercado e a integração com a Europa" e prometeu que a União Européia e os EUA continuam "seriamente comprometidos com o triunfo do país". Mas muitos eleitores não se sentem motivados pelas poucas novas idéias dos políticos de sempre. "Todos mentem, não vou votar", disse Natasa Jekic, servo-bósnia da cidade de Mostar, no sul do país.Sete anos após o final da guerra, o país continua dividido etnicamente e depende em grande parte de administradores internacionais que se encarregam dos assuntos do governo. Enquanto o nacionalismo atinge o nível mais alto do pós-guerra, a economia afunda. As eleições de sábado levarão à presidência três pessoas, que representarão cada um dos grupos étnicos rivais - sérvios, muçulmanos e croatas.Também serão eleitos um novo Parlamento estatal, um Parlamento servo-bósnio e um outro croata-muçulmano, e funcionários para os 10 cantões em que está dividida a federação croata-muçulmana da Bósnia. Os novos líderes enfrentarão um desafio descomunal - reconstruir a sociedade multiétnica e dotar o país de uma economia de livre mercado.

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