REUTERS/Adriana Loureiro
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Alta abstenção e denúncias opositoras colocam em xeque eleição venezuelana

Ruas vazias, em razão do boicote convocado por opositores impedidos de concorrer e da menor afluência de chavistas frustrados, foram prenúncio de uma participação projetada em menos de 50%; opositor denuncia mais de 900 irregularidades

Rodrigo Cavalheiro, Enviado Especial a Caracas, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2018 | 21h36

CARACAS - A legitimidade da eleição presidencial venezuelana de ontem foi colocada em xeque em razão alta abstenção e de denúncias dos candidatos que tentaram impedir a reeleição de Nicolás Maduro. O boicote convocado por opositores impedidos de concorrer e a menor afluência de chavistas levaram a uma participação baixa, estimada em menos de 50%. Na última votação presidencial, ela foi de 79%.

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O principal candidato opositor, Henri Falcón, denunciou mais de 900 irregularidades. Reclamou da presença de postos de informação e controle chavistas a menos de 200 metros dos locais de votação. Também questionou o pagamento prometido pelo chavismo aos que registrassem seu voto nesses pontos por meio da "carteira da pátria", um sistema de identificação paralelo criado pelo chavismo para monitorar, e assim estimular, a participação de seu eleitorado a base de gratificações. O registro inclui 16 milhões de habitantes.

"Prometeram 10 milhões de bolívares (US$ 12, pela cotação do mercado negro, 4 vezes o salário mínimo) a quem registrar seu votos nos 'pontos vermelhos'. Não podemos vender nossa dignidade", reclamou Falcon.

Outro opositor, Javier Bertucci, fez denúncias semelhantes às de Falcón. Maduro minimizou as novas ressalvas à votação. O presidente antecipou o processo eleitoral, previsto para o fim do ano, aproveitando um momento em que os principais líderes antichavistas estão impedidos de concorrer. Os opositores então boicotaram a eleição e conseguiram que ela não seja reconhecida por parte da comunidade internacional.

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"É preciso um governo de diálogo", disse Maduro após votar no bairro de Catia, em Caracas. O diálogo seria uma novidade em seu mandato. O chavismo controla o Conselho Nacional Eleitoral, o Judiciário e o Legislativo, que teve funções tomadas por uma Assembleia Constituinte criada no ano passado.

Protestos contra o avanço chavista sobre o Congresso resultaram em pelo menos 121 mortes. Maduro enfrenta hiperinflação, projetada em 13.800% pelo FMI para este ano. O desabastecimento nos supermercados foi controlado antes da votação, mas o salário mínimo é insuficiente para comprar um quilo de carne (US$ 3).

No início da tarde, o índice de participação era metade da registrada na eleição de 2013. Em centros de votação dos bairros opositores Chacao e Altamira, praticamente não havia filas. Em favelas como a do Petare e a 23 de Enero, jipes pagos pelo chavismo transportavam gratuitamente eleitores para os centros de votação morro acima. Chavistas e opositores podiam usar o serviço.

Entre os opositores que preferiram não ir às urnas, o objetivo principal era inflar a abstenção para contestar a legitimidade de Maduro. Em três anos, o presidente poderia ser submetido a um referendo revogatório que encurtaria seu mandato.

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