REUTERS/Philippe Wojazer
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Alta abstenção e vitória expressiva do partido de Macron marcam 1.º turno das eleições na França

Menos da metade dos 47 milhões de eleitores votaram nesta fase, o nível mais baixo de uma votação legislativa nos 60 anos da Quinta República

O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2017 | 10h25

PARIS - O resultado do primeiro turno das eleições parlamentares na França animou os investidores nesta segunda-feira, 12, mas o comparecimento mais baixo da história moderna ofuscou as comemorações.

Os institutos de pesquisa disseram que o presidente, Emmanuel Macron, deve obter até três quartos das cadeiras da Assembleia Nacional no segundo turno, que será realizado no dia 18 de junho. Cerca de 32,3% dos eleitores que votaram na primeira fase escolheram seu partido, República Em Movimento, superando com folga a direita (Republicanos, 21,5%) e a extrema direita de Marine Le Pen (Frente Nacional, 13,2%).

De acordo com as projeções, República Em Movimento e seu aliado MoDem conquistariam no segundo turno entre 400 e 455 dos 577 assentos, um número muito superior à maioria absoluta (289 eleitos).

Esta seria a maioria governamental mais expressiva em décadas no país, e na prática só deixaria o poderoso movimento sindical como obstáculo em potencial para as reformas pró-empresariado que o ex-banqueiro Macron prometeu adotar para tentar impulsionar o crescimento e os empregos.

O pleito foi marcado por uma alta taxa de abstenção (51,29%), já que menos da metade dos 47 milhões de eleitores votaram no primeiro turno, o nível mais baixo de uma eleição legislativa nos 60 anos da Quinta República.

Macron era um desconhecido na política três anos atrás e comanda um partido novo, mas seus adversários viram um perigo para a democracia à medida que a magnitude de sua vitória se revelou no domingo.

Pouco mais de um mês depois de o político de 39 anos vencer uma disputa longa e agressiva, alguns questionaram se ele tem um mandato para buscar uma agenda de reformas pró-mercado.

O porta-voz do governo Macron reconheceu o desafio à frente. "Temos que restaurar a confiança", disse Christophe Castaner, que também é ministro das Relações Parlamentares. "É responsabilidade do governo, do presidente, do primeiro-ministro, restaurar a confiança no processo eleitoral", afirmou ele ao canal France 2. "Não queremos uma maioria para ter vida fácil. Queremos uma maioria que irá reformar.”

Reação

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, qualificou a vitória do partido de Macron de um "forte voto por reformas".

"Chanceler Merkel: Meus sinceros parabéns a Emmanuel Macron pelo grande sucesso de seu partido no primeiro turno eleitoral. Forte voto por reformas", disse o governo alemão no Twitter. / AFP, REUTERS e EFE

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